O Festival Literário Rota das Letras despediu-se ontem de uma edição que contou com mais de 70 convidados, escritores de 25 países e regiões e mais de uma centena de eventos um pouco por toda a cidade. Para Hélder Beja, director de programação, o evento permitiu enriquecer o panorama da literatura de Macau. Quanto às edições seguintes, os organizadores acreditam que a fórmula correcta já foi encontrada, restando agora aperfeiçoá-la

 

Catarina Almeida

 

A 6ª edição do Festival Literário – Rota das Letras terminou ontem. Com mais de 70 convidados, mais de 50 escritores de 25 países e regiões, o festival juntou autores internacionais, do universo lusófono e chinês, num programa com mais de 100 eventos desde sessões, exposições, concertos e filmes aos encontros com alunos.

Mesmo sem ter “superado as expectativas” que por si só eram “muito altas”, a organização faz um balanço positivo de uma edição claramente mais internacional. “O festival sedimentou-se como um acontecimento sólido. Tivemos muito público diariamente apesar de termos decidido estendê-lo para duas semanas”, explicou o director de programação do Festival ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Para Hélder Beja, “havia uma vontade de não regredir e isso foi completamente conseguido. Aliás, conseguimos dar um passo mais além”. A esse nível, segundo sublinhou, houve “mais público e no ano passado já tinha sido bastante bom”. Na sua perspectiva, “o festival tem hoje um público bastante fiel de pessoas que seguem diariamente”.

Em termos de adesão, reconheceu que “continua a haver uma separação de públicos”, contudo, houve progressos na forma como as sessões atraíram diferentes públicos. “Queremos que aconteça ainda mais, mas não é um trabalho fácil, tudo depende da sensibilidade das pessoas e obviamente da divulgação que fazemos das sessões”.

“Mas, fico muito contente quando entro numa sala com uma autora do Brasil ou de Moçambique e estão 20 pessoas com auriculares para ouvir a tradução. A tradução simultânea consome-nos muitos recursos, mas é algo que nunca abandonaremos”, sublinhou Hélder Beja.

O Rota das Letras destacou-se ainda pelas estreias como, por exemplo, a aposta na banda desenhada que se manifestou não só numa exposição de Rodrigo de Matos, cartoonista português radicado em Macau, como nas presenças de Dick Ng, Filipe Melo, Philippe Graton e Clément Baloup.

Foi também a primeira vez que o festival teve uma escritora de Goa, neste caso Jéssica Faleiro. “Encontrámos a fórmula correcta e agora é aperfeiçoá-la”, destacou Hélder Beja para quem o nível alcançado nesta edição fez com que “o panorama da literatura em Macau ficasse mais rico”.

Quanto aos acontecimentos literários, salientou a passagem de Benjamin Moser, autor da biografia de Clarice Lispector. “Além de ter tido muita gente nas sessões foi bastante genuíno para o público”, apontou. Além disso, destaque para o contributo de Bruno Vieira do Amaral, Pedro Mexia e Sérgio Godinho.

Em relação à programação chinesa, Hélder Beja recordou as sessões com Yu Hua, autor chinês e talvez o mais destacado desta programação, à semelhança da jovem autora Zhang Yueran.

Para o mesmo responsável, a performance “Das Palavras” realizada a 12 de Março no Edifício do Antigo Tribunal foi uma das mais “significativas” e “relevante” que o “festival alguma vez teve”. “Foi uma programação de última hora mas foi muito especial”, realçou Hélder Beja.

 

Lançada quinta edição de contos

O último dia do Festival culminou no lançamento da “Cinco Sentidos”, a 5ª edição de Contos e Outros Escritos da Rota das Letras. O livro inclui contos e outros escritos de autores como o português Ricardo Adolfo, o guineense Ernesto Dabó, os brasileiros Marcelino Freire, Carol Rodrigues e Felipe Franco Munhoz, o sueco Bengt Ohlsson, assim como dos chineses Liu Xinwu e Chan Koonchung, entre outros autores que participaram na edição de 2016 do Festival Literário de Macau.

Além disso, serão incluídos os vencedores do concurso de contos da Rota das Letras nas categorias de chinês, português e inglês: “O Absurdo da Galinha” por Chi Pang Loi, “Mar Adentro” de Adi Berenice e Silva e “Aether”, da autoria de João Carvalho da Silva. As histórias vencedoras foram escolhidas entre mais de 70 textos enviados por um júri composto por Chan Koonchung, Ricardo Adolfo e Bengt Ohlsson.