Na qualidade de secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau indicado pelos países lusófonos, Rodrigo Brum reconhece que os interesses e preocupações desses Estados são diferentes, no entanto, defende que “o mais importante” é trabalhar no sentido de atingir objectivos iguais para todos. Em entrevista ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, o mesmo responsável considera ainda que a integração de São Tomé e Príncipe no Fórum Macau contribui para “uma posição colectiva mais relevante”

 

Inês Almeida

 

O Fórum Macau “tem hoje um inquestionável papel nas relações comerciais, de investimento, na formação, e até na divulgação da cultura dos Países de Língua Portuguesa que dificilmente se poderia antever nos primeiros anos após a sua criação, em 2003”. Quem o diz é o secretário-geral adjunto do Fórum indicado pelos países lusófonos defendendo que “é a partir da base sólida que conhecemos hoje que devemos equacionar o papel mais ambicioso que queremos para os próximos anos”.

“Sendo certo que se deve analisar o passado para melhor planear o futuro, o que importa agora é desenvolver ainda mais o relacionamento dos países integrantes do Fórum Macau, com vista a uma maior e melhor partilha dos frutos da cooperação multilateral que esteve na origem deste projecto”, indicou Rodrigo Brum ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

O secretário-geral adjunto, que foi nomeado por unanimidade pelos participantes na 12ª reunião ordinária do Fórum Macau e assumiu o cargo a 1 de Setembro, sublinha que as prioridades do organismo que integra estão já definidas e passam pelo “aprofundamento da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa, bem como a intensificação do papel da plataforma de Macau”. Para tal, defende Rodrigo Brum, é necessário o “desenvolvimento de uma ligação mais regular e sólida do Fórum com todos os países de língua portuguesa e organismos dos respectivos países, à semelhança do que já se passa com a China, que quase mensalmente é objecto de visitas de trabalho”.

“Reforçar esse relacionamento vai exigir de todos um esforço adicional” e, para tal, o Fórum conta com os delegados dos países e “cujo empenho potencia o interesse dos seus países do Fórum Macau e nos mecanismos de que este dispõe para uma cooperação multilateral com vantagens para todas as partes”.

Questionado sobre as prioridades ao nível da sua linha de acção e eventuais preocupações, Rodrigo Brum indica que, nesta fase inicial, “tem particular importância a contribuição para a eficácia do funcionamento interno e a articulação com todos os nove países integrantes do Fórum, o que a somar ao normal funcionamento e actividades já em curso, corresponde a uma agenda bastante intensa”.

“A partir de uma forte base de actuação que espero estar concretizada a curto prazo e com um conhecimento mais aprofundado das prioridades de todas as partes integrantes do Fórum, espero que possamos, em conjunto, alcançar um nível de intervenção e resultados que uma organização multilateral como esta tem obrigação de potenciar aos países integrantes”, salientou Rodrigo Brum, que substituiu o moçambicano Vicente de Jesus Manuel no cargo de secretário-geral adjunto.

Naturalmente, existem interesses e preocupações diferentes entre os países de língua portuguesa, mas Rodrigo Brum acredita que o aspecto mais importante “começa por ser trabalhar e atingir os objectivos comuns”. “Quanto ao resto, espero poder contribuir para o dirimir de diferenças e eventualmente ajudar a fazer vingar as boas ideias que não tenham, à partida, um acolhimento unânime”, referiu.

 

Transferência do Fundo tem “impacto enorme”

Rodrigo Brum mostra-se convicto de que a transferência para Macau da sede do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa “vai ter um impacto enorme na operacionalização de um Fundo que, tendo sido criado há alguns anos, carece de um desenvolvimento com vista a cumprir os objectivos a que se propôs”.

Anunciada em Outubro de 2016 pelo Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, durante a 5ª conferência ministerial do Fórum, e oficializada no passado mês de Junho, a mudança da sede do Fundo “vai possibilitar uma maior proximidade aos países de língua portuguesa através da plataforma única que Macau representa e que é já reconhecida como uma vantagem inquestionável para as ligações China-países Lusófonos, através de Macau”, defende.

O secretário-geral adjunto do Fórum Macau reage ainda “com muita satisfação” à integração de São Tomé e Príncipe no organismo, nomeadamente “pelo que essa nova realidade representa para o desenvolvimento dos objectivos do Fórum, contribuindo para uma posição colectiva mais relevante”. “Como é desejável, a representatividade do Fórum Macau é tanto mais quanto for o contributo para o trabalho a desenvolver e a participação activa do maior número de participantes”.

Nesse sentido, Rodrigo Brum está “certo” de que atendendo “ao entusiasmo e empenho já demonstrado pelo primeiro delegado indicado por São Tomé e Príncipe” será possível contar “com uma participação de grande qualidade, como pretendido por todos”.

Licenciado em Organização e Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, Rodrigo Brum desempenhou funções em Macau nos anos 1990 e, posteriormente, ocupou cargos de direcção em várias empresas.