Rita Santos diz que Portugal deve “olhar mais” para a “especificidade de Macau”

Em relação ao acto eleitoral de 2008 para o Conselho das Comunidades Portuguesas, José Pereira Coutinho e Armando Jesus mantêm-se na lista da ATFPM enquanto Rita Santos, actualmente presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação, entra para o lugar de Ana Manhão que viria a renunciar ao lugar sendo substituída por Fernando Gomes

 

André Jegundo

 

José Pereira Coutinho, Armando Jesus e Rita Santos são os escolhidos pela direcção da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) para encabeçar a lista para as eleições do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), referiu a presidente da Mesa da Assembleia Geral da ATFPM ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Em relação ao acto eleitoral de 2008, José Pereira Coutinho e Armando Jesus mantêm-se na lista enquanto Rita Santos, actualmente presidente da Mesa da Assembleia Geral da ATFPM, entra para o lugar de Ana Manhão.

Rita Santos refere, no entanto, que a direcção da ATFPM está ainda a discutir os nomes que vão integrar a lista de candidatos suplentes. As eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas vão acontecer este ano mas ainda não têm data marcada. Tudo aponta, no entanto, que se realizem em Setembro.

Actualmente, o Conselho Permanente do CCP é liderado por Fernando Gomes, conselheiro eleito por Macau, e que substituiu Ana Manhão na lista de 2008 da ATFM, por renúncia da própria. Contactado pelo JTM, Fernando Gomes não quis confirmar nem desmentir se será ou não candidato, lembrando que a data das eleições para o CCP “ainda nem sequer foi marcada”.

A ATPFM tem contactado os associados para realizarem o recenseamento eleitoral no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, condição para se poder votar nas eleições para o CCP. Rita Santos apela à participação no recenseamento eleitoral e enaltece a importância do CCP como órgão onde as “comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo se fazem ouvir”.

A presidente da Mesa da Assembleia Geral da ATFPM defende que Portugal “deve dar mais apoio” à comunidade portuguesa sediada em Macau, utilizando “ainda mais” o território para “promover a cultura portuguesa”. Para ajudar a preservar a cultura lusófona, o Estado Português, defende, deve dar mais meios ao Consulado e reforçar os apoios a instituições de índole cultural como o IPOR.

Rita Santos entende também que Portugal deve “olhar mais” pela “especificidade de Macau” onde existe uma “vasta comunidade” de pessoas com nacionalidade portuguesa “mas que apenas fala chinês”. “E o Consulado Geral de Portugal em Macau precisa de estar preparado para responder aos desafios que surgem desta situação muito específica”, aponta, considerando que é preciso “dar mais atenção e carinho” à comunidade portuguesa em Macau para que esta continue no território “por mais gerações”.

Em 2008, a lista única liderada por Pereira Coutinho venceu as eleições para o CCP, com 96,6 por cento dos votos, num universo de votantes que não chegou ao milhar. Em 2003, no entanto, foram três as listas de Macau a concorrer ao Conselho das Comunidades.

O CCP é o órgão consultivo do Governo português para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas e representativo das organizações não governamentais de portugueses no estrangeiro. As competências e modo de funcionamento do CCP foram alvo de alteração legislativa em 2015.