Pedro Cardeira (esq.) venceu o prémio de Melhor Argumento com documentário de Mio Pang Fei

MELHOR LONGA METRAGEM E MELHOR ARGUMENTO COM SOTAQUE DE PORTUGAL

Pedro Cardeira, com um documentário sobre Mio Pang Fei, e a dupla composta por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata estiveram em destaque nesta edição do “Macau Indies”, ao vencerem, respectivamente, os prémios de Melhor Argumento e Melhor Longa Metragem

 

Pedro André Santos

 

O “Prémio do Júri”, o mais prestigiante do “Macau Indies”, não foi para nenhum realizador português, ao contrário do que aconteceu na edição passada em que Nuno Viegas, com “Sirena”, arrebatou o principal galardão do evento. No entanto, Portugal voltou a estar em destaque nesta edição do “Indies”, ao arrebatar dois prémios. Pedro Cardeira, com um documentário sobre a vida de Mio Pang Fei, venceu o Melhor Argumento, enquanto que a dupla composta por João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, com “Iec Long”, conquistou o prémio de Melhor Longa Metragem.

“Fico muito orgulhoso por receber este prémio, acho que é um grande ano para Mio Pang Fei e para o cinema em Macau porque há uma série de filmes a decorrer em festivais internacionais. Foi fascinante fazer este trabalho com o Mio Pang Fei, não só pela história da vida dele, mas também a nível pessoal, descobri muita coisa sobre a cultura e a arte chinesa que não sabia”, disse Pedro Cardeira.

Questionado pelo JORNAL TRIBUNA DE MACAU sobre o facto de ter contribuído com este filme para o legado de Mio Pang Fei, o realizador português descreveu toda a situação como “uma honra”, considerando, no entanto, que já deveria ter sido realizado há muito mais tempo. “O legado de Mio Pang Fei vai ser enorme e de importância fulcral para a arte chinesa. Acho que a China ainda não assimilou bem a importância de Mio Pang Fei, espero que a ida à Bienal de Veneza e o filme ajudem também a compreenderem a sua importância”, considerou.

Em relação ao futuro, Pedro Cardeira falou apenas na existência de “ideias”, preferindo, pelo menos para já, recompor-se do último trabalho. “Este filme de Mio Pang Fei envolveu-me muito, foi um grande esforço. No próximo projecto gostaria de falar outra vez sobre Macau, e agora tenho que criar uma certa distância para haver um ponto de vista mais fresco. Espero que até ao final do ano consiga concretizar essas ideias”, concluiu.

Para além de ter recebido o seu prémio, Pedro Cardeira acabou por regressar ao “palco” para representar a dupla lusitana João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, que não se encontra no território.

O Prémio do Júri, que merece mais destaque nas edição do evento, foi entregue a Emily Chan, com “Yesterday Once More”. A competição distinguiu ainda a melhor curta-metragem “A Boy’s Prayer”, de Chao Koi Hang, enquanto “C-La in Macao”, da autoria de Cobi Lou, recebeu o prémio de louvor para Melhor Animação.

Este ano, o júri voltou a ser composto por três consagrados profissionais da Sétima Arte sediados na Ásia. Os melhores trabalhos foram seleccionados pelo cineasta veterano e argumentista de Hong Kong, Alex Law, o realizador galardoado de Taiwan Chang Tsang, e Feng Yu, curador de festivais independentes na China.

 

Qualidade a aumentar

À semelhança do ano anterior, o evento cinematográfico voltou a apresentar 26 filmes, com as partes envolventes a ficarem satisfeitas com os resultados finais. “Em relação a este ano há novidades, ainda não vi os filmes todos mas o que ouvi dizer é que a qualidade dos filmes foi bastante mais elevada. A nível de documentários estamos a produzir cada vez melhor, em termos de ficção precisamos de saber contar melhor as histórias e ter uma claridade de mensagem”, referiu Pedro Lencastre.

O facto de realizadores portugueses terem voltado a ser premiados não surpreendeu o coordenador da programação do Centro Cultural, tendo sido uma tendência das edições anteriores. “Por acaso, nos últimos anos, eles têm ganho normalmente o melhor prémio. Não sei se não terá também a ver com a formação, com outras escolas e outros requisitos. São formados noutras cidades onde a produção cinematográfica está a outro nível, por isso trazem uma bagagem que as pessoas formadas aqui ainda não têm”, disse Pedro Lencastre.