As jornalistas Fátima Almeida, com colaboração de Viviana Chan, e Catarina Vaz, receberam ontem o Prémio Macau da Fundação Oriente por reportagens publicadas na TRIBUNA DE MACAU e TDM, respectivamente, em 2016. Ana Paula Cleto elogiou a qualidade dos trabalhos recebidos

 

Salomé Fernandes

 

A poluição atmosférica e as histórias de quem adoptou o Pátio do Espinho como lar foram os temas centrais das reportagens distinguidas com o Prémio Macau da Fundação Oriente (FO). “Esquecidos num canto da cidade – um pátio à moda antiga onde chega a mocidade” da autoria de Fátima Almeida com a colaboração de Viviana Chan, foi publicada na TRIBUNA DE MACAU. Já “O ar que respiramos”, da jornalista Catarina Vaz, foi emitida na TDM. Juntos, representaram nesta edição do concurso o “melhor trabalho jornalístico sobre Macau, nas vertentes cultural e socioeconómica”.

Em 2017 concorreram ao prémio 11 jornalistas, com 13 trabalhos. Criado em 2009, teve pela primeira vez dois trabalhos a partilhar o título. “Este ano, achámos que no conjunto dos trabalhos estes dois se destacavam e tornou-se difícil, pela qualidade e pela pertinência do tema, decidir”, explicou Ana Paula Cleto, coordenadora da Delegação da FO em Macau e membro do júri, que também integrou Ana Maria Correia, Carlos Ascenso André, Elsa Jacinto e Harald Bruning.

“O jornalismo em Macau foi sempre bom, mas isto tem a ver com a evolução das coisas. Hoje em dia são todos preparados, licenciados, e isso vai-se reflectir às vezes na escrita, e também na preparação dos trabalhos na rádio e na televisão. E vê-se que aparecem neste concurso e noutros concursos trabalhos muitíssimo bons”, comentou Ana Paula Cleto.

Fátima Almeida, que à data da publicação era colaboradora na TRIBUNA, depois de ter integrado a equipa da redacção durante vários anos, comentou que o tema surgiu a partir de uma interpelação que leu no jornal, seguindo-se uma conversa com Viviana Chan. Conseguir que as pessoas falassem com ela não foi imediato, requereu várias idas ao Pátio, do mesmo modo que o impacto da reportagem leva tempo a fazer-se sentir. “É um assunto complexo que envolve a história de Macau, problemas ilegais, casas que supostamente foram construídas há muito tempo mas o terreno supostamente tem outros donos, e neste caso não se sente logo uma mudança imediata”, disse.

“Mas tenho-me apercebido que algumas pessoas gostam de ser ouvidas e o facto de escrever por elas significa que não foram esquecidas, e que elas têm a mesma voz, uma deputada, um Governo, porque fazem parte do mesmo assunto”, acrescentou.

Catarina Vaz, cuja reportagem aborda uma problemática diferente, partilha o prémio de 50 mil patacas. Chegou a Macau em 2014, depois de trabalhar 17 anos na RTP, para integrar o projecto piloto Macau 360 na TDM.

A premiada diz já sentir o impacto da sua reportagem. “Este é um tema importante porque não basta as pessoas terem consciência. É preciso mudarem as práticas, os comportamento. E para as pessoas mudarem os comportamentos têm de estar constantemente a ouvir falar deste assunto. (…) Este tema devia estar no topo das agendas de todos os meios de comunicação social, da agenda económica. Porque daqui a uns anos não há planeta, não há política, não há economia”, sublinhou.

Frisou por isso a necessidade de “implementação de legislação adequada”, “agilização de políticas para cedência de espaço para as estações de abastecimento de carregamento” de veículos eléctricos, bem como “regular o mercado e dar incentivos a quem queira trocar de veículo”.