Decorre até amanhã o MIECF, desta vez sob o tema “Economia Verde-oportunidades para a Gestão de Resíduos”. O evento reúne cerca de 30 empresários portugueses, sendo que alguns frisaram a importância do MIECF para dar a conhecer as oportunidades de Portugal aos empresários chineses e potenciar a expansão para novos mercados

Inês Almeida

O primeiro dia da nona edição do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental 2016 (MIECF, na sigla inglesa) levou até ao Venetian centenas de visitantes que puderam ficar a conhecer os mais de 460 expositores de 20 países e regiões, continuando a incluir pavilhões da região do Delta do Rio das Pérolas, Europa, países de língua portuguesa e dos Estados Unidos. O orador principal do MIECF 2016 é Walter Stahel, apresentado como pioneiro na economia circular, um modelo em que não se verifica a produção de resíduos nem é gerada poluição, tendo por base a reutilização.

Estão presentes no evento cerca de 30 empresas de Portugal. Duarte Freire e Vasconcelos foi um dos empresários portugueses que veio a Macau apresentar uma proposta “verde” na área da criação de protótipos na esperança de expandir o seu leque de clientes. “O mercado português não é muito grande apesar de a reacção das indústrias portuguesas até ter sido boa, e de ter sido percebido o valor da impressão 3D, que por norma é um dos maiores problemas. Apesar disso, o que queremos daqui é uma expansão de mercado, uma vez que a indústria do mundo está na China e há imensas fábricas que precisam deste género de serviço”, frisou o empresário ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Além de estar vocacionada para a impressão a três dimensões, a “Blocks” aposta no desenvolvimento de projectos e nos serviços de consultoria a outras companhias. Nesse sentido, explicou o CEO, “uma das coisas que me traz cá é a transferência de conhecimento e, eventualmente, fazer consultoria para as empresas chinesas” nesta área.

O sector da impressão 3D é relativamente recente e muitos empresários ainda desconhecem as suas potencialidades, apontou Duarte Freire e Vasconcelos, explicando a actividade que desenvolve. “Conseguimos, através do controlo numérico de máquinas, chegar a uma capacidade de produção e prototipagem que corta os tempos de desenvolvimento do produto, permitindo produções mais pequenas que de outra forma se tornariam muito caras”, afirmou.

O CEO ainda deu exemplos: “Uma empresa que queira fazer 100 unidades, se tiver que fazer um molde, vai ter de vender o produto a um custo muito elevado porque o molde vai ser caro e, portanto, o preço final do produto vai ser caríssimo. Neste caso não porque pode fazer as 100 peças e o único custo é o da impressora, que é parecido ao de um molde, e pode ser usada mais do que uma vez”.

Já Carlos Guerra, da empresa “Apthos”, tem objectivos diferentes para a sua visita a Macau. “O que pretendo é encontrar soluções para os nossos clientes em Macau, de forma a potenciar exportações das empresas portuguesas e simultaneamente que pessoas chinesas possam procurar oportunidades em Portugal. Já fiz quatro contactos e levo informação para alguns clientes”, referiu.

Tal como no caso de Duarte Freire e Vasconcelos, Carlos Guerra procura expandir o mercado da sua empresa. “Portugal é um mercado muito pequeno que neste momento precisa de exportar. [O MIECF] é uma oportunidade para exportarmos produtos portugueses. Por outro lado, Portugal, através de Macau, pode ser uma entrada de produtos chineses na Europa”.

Assim, o mesmo responsável indica a importância de mostrar que “Portugal tem produtos únicos, mesmo em termos tecnológicos, além da geração melhor formada nesse âmbito. Produzimos tecnologias de ponta, por isso, é preciso demonstrar que Portugal é muito mais que sol e praia”.

O aumento do investimento chinês

Rita Raposo, assessora da secretaria geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-chinesa veio ao MIECF “com algumas missões”. “Uma delas foi disseminar o nosso trabalho de ponte entre Portugal e a China em áreas como investimento, captação de parceiros comerciais”, inclusivamente em áreas como as tecnologias “verdes”.

O crescente investimento chinês em Portugal influenciou “muito positivamente” a relação entre os dois países já que “veio dar um estímulo muito grande, não só à economia portuguesa, mas às relações bilaterais”.

Rita Raposo recorda ainda que “há uns anos houve um grande investimento na área das tecnologias. Um dos maiores parque solares da Europa é em Portugal, na Amareleja e um dos investidores é precisamente uma companhia chinesa”.

O MIECF continua hoje com os seminários “do desperdício aos recursos e recompensas – o mapa para uma economia circular”, “construir com menos – soluções sustentáveis para a construção verde” e uma sessão dedicada às políticas e tecnologias de gestão dos resíduos sólidos na região do Delta do Rio das Pérolas.

Chefe aponta “protecção ambiental” como prioridade

O Chefe do Executivo referiu-se à protecção ambiental como “um dos pontos fundamentais da acção governativa da RAEM”, no dia em que arrancou o Fórum MIECF. “Luta-se por um equilíbrio entre o desenvolvimento e a conservação do meio ambiente através da construção de uma cidade com reduzida emissão de carbono”. Chui Sai On garantiu ainda que o Governo vai avançar com a elaboração do Plano de Resíduos Sólidos. O Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, que também esteve na cerimónia de inauguração do MIECF, garantiu que irá continuar a investir no evento, referindo a intenção de melhorar a organização no futuro.

Autocarro movido a electricidade

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No centro da zona dos transportes do MIECF está um autocarro movido a electricidade que, uma vez completamente carregado, poderá percorrer até mil quilómetros. Numa visita ao Fórum, o presidente da Associação de Ecologia, Ho Wai Tim, instou o Governo a promover o uso de motociclos e automóveis eléctricos no território, para que Macau seja “mais bem sucedido” na área da protecção ambiental. Um empresário chinês também presente frisou que no Continente estão a usar cada vez mais este género de veículos verdes pelo que, se Macau fizer o mesmo, poderão cooperar.

 

Energia solar para recolher lixo

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Uma empresa de Hong Kong participa no MIECF pela segunda vez para apresentar uma tecnologia movida a energia solar que possibilita o transporte de caixotes do lixo mais pequenos até ao local onde os resíduos podem ser depositados em contentores maiores. Este equipamento, referiu o director geral da “Powers Enterprises” foi desenhado a pensar nos hotéis, que têm dezenas de pequenos contentores que devem esvaziar, já que possibilita que uma única pessoa faça esse trabalho. No ano passado a companhia já tinha estado em Macau a apresentar uma máquina que parte e compacta garrafas de vidro que depois é reciclado e utilizado na criação sobretudo de objectos decorativos.

 

Embrulhos mais leves

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Também da RAEHK veio a “Airpack”, uma empresa que promete sacos para prendas e objectos como molduras para diplomas, cadernos, caixas para empacotar objectos mais leves do que o habitual, ao utilizar materiais diferentes dos habituais e recusando o recurso a cola. Timothy Yan, um dos fundadores, explicou que a companhia tem tido sucesso sobretudo pela conveniência que representam os objectos mais leves e facilmente transportáveis.

 

 

 

“Rede inteligente” da CEM

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A Companhia de Electricidade de Macau (CEM) volta a estar presente no Centro de Exposições do Venetian com um expositor que pretende dar a conhecer os esforços da empresa na área da protecção ambiental e “inspirar” outros a tomar atitudes semelhantes. O expositor deste ano tem como tema “Rede Inteligente” que consiste numa rede energética que integra várias tecnologias avançadas como sensores e elementos de computação para gerir a distribuição da energia eléctrica. Esta rede, refere a CEM, não só é mais fiável como “melhora a segurança e eficiência da cadeia do fornecimento de energia”.