O Governo Central pretende lançar uma série de medidas com vista a atrair mais residentes de Macau e Hong Kong a viverem no Continente, revelou a agência oficial “Xinhua”. Segundo fonte do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, os incentivos vão desde habitação, segurança social a transportes. No mesmo sentido, a Associação de Nova Juventude Chinesa sugere a criação de mecanismos de certificação mútua das qualificações profissionais

 

Atrair residentes de Macau e Hong Kong interessados em fixar-se no Continente está no planos do Governo Central que tenciona introduzir uma série de medidas, oferecendo igualdade de direitos em áreas como a habitação, segurança social ou educação.

Em declarações à agência oficial chinesa “Xinhua”, uma fonte não identificada do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado indicou que o Governo Central listou cerca de “50 preocupações” dos residentes das duas RAE’s que “vivem, estudam e trabalham no Continente”. Sem avançar com mais detalhes, o mesmo funcionário disse que serão concedidos direitos iguais e providenciados apoios para ajudar aqueles residentes a comprar casa no Continente.

Ao abrigo da legislação actual, os residentes urbanos do Continente, juntamente com os empregadores, pagam uma parcela dos seus rendimentos para o fundo de previdência que pode ser utilizado para contrair empréstimos habitacionais, com juros mais baixos. O fundo pode ser usado também para arrendamentos, obras ou doenças graves.

Além disso, avança a agência oficial chinesa, está em análise a possibilidade dos residentes das RAE’s terem acesso à segurança social do Continente chinês.

No conjunto de medidas estão ainda previstas facilidades nos transportes, que permitem recorrer aos serviços automáticos de venda de bilhetes de comboio nas estações das províncias mais escolhidas pelos residentes de Macau e Hong Kong para viver na China: Pequim, Xangai, Guangdong, Hunan e Fujian, entre outras. Nestes moldes, os residentes de Macau e Hong Kong podem utilizar o salvo-conduto para comprar directamente bilhetes de entrada e saída do Continente através dessas máquinas automáticas.

De acordo com o Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, está ainda em cima da mesa a possibilidade de estender essas facilidades a mais capitais de províncias chinesas e outras cidades com fluxo elevado de residentes das RAE’s.

 

Novo Juventude Chinesa quer certificação profissional “mútua”

Perante os problemas que os residentes de Macau enfrentam quando pretendem fazer estágios ou encontrar emprego na China Continental, Cheong Chi Hong, vice-presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa sugeriu que o Governo elabore “cartões de identificação” e trabalhe para uma certificação mútua das qualificações profissionais.

Num comunicado, o vice-presidente da associação afirmou que tem recebido várias queixas sobre as dificuldades enfrentadas por quem pretende viver na China Continental e por isso espera que o Executivo possa cooperar com os organismos do interior da China para facilitar a vida dos residentes no Continente.

A promoção da identificação profissional mútua entre Macau, Hong Kong e a China Continental e a abertura de exames de certificação profissional foram dois pedidos apresentados pelos pelo representante.

Cheong Chi Hong refere que existem inconvenientes relacionados com os documentos de identificação diferentes, quando se trata por exemplo de assuntos bancários.Nesse sentido, o dirigente associativo instou o Executivo a estabelecer um sistema que identifique os cidadãos nascidos em ambas as Regiões Administrativas Especiais e que facilite as deslocações ao interior da China.

 

R.C. e E.L.