Um inquérito aos trabalhadores do sector do jogo indica que 3.172 funcionários gostariam de ter aumentos salariais entre 5% e 7%. Um dos responsáveis do estudo salientou que este é o momento de melhorar o moral dos trabalhadores, porque que as receitas voltaram a crescer

 

Liane Ferreira

 

Dois dias após uma manifestação que atraiu entre 200 a 300 trabalhadores do jogo para pedir aumentos salariais, três associações do sector revelaram os resultados de um inquérito também focado no mesmo desejo.

As associações subordinadas à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) distribuíram inquéritos a 16.098 trabalhadores da indústria do jogo, no entanto, apenas uma parte respondeu. Segundo dados citados pelo diário Exmoo, 7.646 trabalhadores pediram aumentos salariais, sendo que 3.716 exigiram especificamente subidas de 7% e 3.456 apontaram para 5%. Além disso, 280 pessoas exigiram aumentos de 3%.

Por outro lado, apenas 61 pessoas consideram que, como as operadoras vivem tempos conturbados, não será o momento adequado para ajustamentos salariais.

Em conferência de imprensa, Leong Sun Iok, vice-presidente da FAOM, salientou ontem que, tendo em conta o período de ajustamento financeiro, muitas operadoras têm reduzido os custos e introduzido medidas de poupança envolvendo os trabalhadores.

No entanto, relembrou que o desempenho financeiro do sector tem vindo a “aquecer” e as receitas a crescer nos últimos meses, pelo que as operadoras devem aproveitar o momento para aumentar o moral dos trabalhadores e aliviar as pressões sentidas. Leong Sun Iok considera ainda que tais ajustamentos ajudariam a combater as pressões causadas pela inflação.

Sem especificar nomes, o representante indicou que uma concessionária de jogo oferece um subsídio extra, enquanto outra atribui um bónus, no entanto, ainda nenhuma anunciou aumentos para 2017.

As associações esperam que um acréscimo salarial neste sector possa incentivar situações semelhantes nas outras áreas.

Na manifestação de segunda-feira, a presidente da Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo sublinhou que cinco das seis operadoras de jogo não sobem o valor dos salários desde o ano passado, pelo que os trabalhadores acreditam que foram “impedidos” de aproveitar os frutos do desenvolvimento económico.