“Não somos rebeldes”, assegura Kou Meng Pok, líder da lista “União dos Promitentes-Compradores do Pearl Horizon para Defesa dos Direitos”, sublinhando que a candidatura à Assembleia Legislativa resultou do insucesso das várias tentativas, incluindo manifestações e entregas de petições, para resolver o problema dos proprietários de fracções naquele projecto habitacional. Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Kou Meng Pok, representante de 3.000 proprietários do “Pearl Horizon”, vincou o desejo de atrair “eleitores com piedade” e conseguir um desfecho “satisfatório” para o caso, permitindo aos compradores receber as casas, no fundo “o único pedido” do programa político da lista número 24

 

Rima Cui

 

– Porque concorre?

– Concorremos às eleições para a Assembleia Legislativa (AL) porque queremos uma solução para o caso “Pearl Horizon”. Só temos um pedido. Depois do caso do “Pearl Horizon” ter um desfecho satisfatório, é claro que iremos preocupar-nos com outros assuntos sociais importantes, por exemplo os que têm a ver com o bem-estar da população. Habitação, transportes ou produtos alimentares, são pontos que fazem parte das nossas preocupações. Apesar da população não enfrentar muitos problemas com os alimentos, as ruas cheias de trânsito e os preços elevados das casas são questões que continuam a perturbar muitos cidadãos de Macau. Vou ser um deputado que realmente falará pelos cidadãos. Mas, em primeiro lugar, é necessário resolver o caso do “Pearl Horizon”. Temos de dar este passo. Esta candidatura à AL não veio do nada, mas foi o resultado de várias tentativas nossas em vão, através de manifestações, protestos e entregas de petições a organismos governamentais. Este caminho não foi escolhido por nós. A evolução do caso é que nos tem dirigido, passo a passo. Se o problema do “Pearl Horizon” tiver uma solução antes de 17 de Setembro, permitindo a mais de 3.000 proprietários de fracções receber as casas, desistirei da candidatura. Não somos rebeldes, nem estamos contra apenas por estar contra.

 

– O que diferencia a sua lista das outras?

– Para além dos compradores de fracções do “Pearl Horizon”, que têm sido afectados por este assunto, queríamos também atrair eleitores com piedade. Pôr fim ao caso do “Pearl Horizon” é o nosso único objectivo. Trata-se de salvaguardar direitos e interesses legítimos, o que faz parte da justiça social. O caso “Pearl Horizon” é um exemplo de injustiça social. Apesar de termos apenas um pedido no programa político, já é suficiente para mostrar o nosso valor.

 

– Quais são os problemas prioritários e que soluções propõe para os resolver?

– Para além de uma catástrofe natural, o tufão “Hato” tornou-se um assunto social importante que reflecte muitos problemas existentes na estrutura de Macau. Por exemplo, as casas localizadas perto do mar foram construídas sem ter em conta a capacidade de prevenção de inundações e catástrofes naturais. Desta vez, vimos que as pessoas de Macau são muito bondosas e têm sentido de responsabilidade. Apesar do tufão ter provocado grandes prejuízos, vimos um lado muito bom desta cidade. É necessário que entrem na AL deputados que possam levar as vozes dos proprietários do “Pearl Horizon”. As soluções têm de ser estudadas pelo Executivo e não por nós, pequenos compradores de fracções. Comprámos as casas entre 2010 e 2013 consoante a lei, tendo advogados como testemunhas e também pagámos impostos ao Governo, contudo, as autoridades acabaram por recuperar os terrenos de acordo com a nova Lei de Terras em 2014. Mesmo assim, entre 2014 e 2015, o Governo não interveio nada no mercado imobiliário de segunda mão que continuava a efectuar transacções de fracções desse lote. Além disso, a construtora também não pode fugir às suas responsabilidades, porque foi ela que violou o contrato. Nós não temos capacidade de dar qualquer proposta para resolver o caso, mas o Governo tem. Somos totalmente inocentes!

 

– Se for eleito, como pode contribuir para melhorar o trabalho da AL?

– Uma pessoa tem uma força limitada, por isso, precisamos de estudar ideias em conjunto e reunir esforços. Vamos exigir ao Governo que crie um mecanismo que sirva para reunir ideias e opiniões diversas dos cidadãos para melhorar o desenvolvimento de Macau de forma científica. Vou também reforçar a supervisão do orçamento governamental. Na minha opinião, o Governo deve avançar com um inquérito científico, de forma completa, sobre se os hospitais são suficientes. Há carências de pessoal médico? Quantos pacientes precisam de servir? Quais são as patologias mais frequentes? Entre outras, estas questões estão por apurar. As autoridades precisam de fazer mais estudos e obter mais dados concretos, para disponibilizar pessoal e recursos com maior eficiência. Já estou cá há mais de 30 anos e noto que o trânsito tem vindo a enfrentar uma pressão cada vez maior. Por isso, acho que é preciso o Governo proceder a mais estudos para saber o nível de concentração concreto de passageiros de autocarros e suas faixas etárias em diferentes zonas, para que sejam implementadas medidas diferenciadas, aumentando a eficiência dos limitados recursos.

 

– Qual será a sua primeira acção enquanto deputado?

– Apressar o Governo e a AL para que resolvam o caso “Pearl Horizon”, já que se trata de uma exigência mínima. Estamos sujeitos a uma injustiça informativa, porque, apesar de nos manifestarmos, a imprensa local publicou notícias de forma selectiva, pelo que a nossa verdadeira voz não é realmente transmitida. A primeira acção será, sem dúvida alguma, forçar o Governo a resolver o caso do “Pearl Horizon”. Nos últimos dois anos, apenas poucos deputados mencionaram este caso e com pouca frequência na AL. Se eu puder entrar na AL, falarei do “Pearl Horizon” assim que tenhamos uma reunião. Pelo menos, irei colocar um cartaz na mesa ou vestir roupa com informações sobre este caso. Por outro lado, como estão em voga os conceitos da “Grande Baía” e de “Uma Faixa, Uma Rota”, acho que os portugueses que vivem em Macau e os descendentes dos residentes de Macau com raízes nos países de língua portuguesa são muito importantes, porque têm muitos recursos preciosos, como por exemplo as relações interpessoais. Nesse sentido, o Executivo deve aproveitar esses recursos para fazer a RAEM integrar as iniciativas “Uma Faixa, Uma Rota” e “Grande Baía”. Essas pessoas podem contribuir para esse objectivo.