João Botas alerta para a falta de condições que determinadas Casas de Macau, nomeadamente a de Portugal, enfrentam hoje em dia. Para isso, o vice-presidente da Casa de Macau em Portugal defende que deveriam ser elevadas a uma espécie de “embaixadores” para que o território fosse mais projectado nos países de acolhimento

 

Catarina Almeida

 

O vice-presidente da Casa de Macau em Portugal lamenta que, nos intervalos dos Encontros das Comunidades Macaenses, as Casas não consigam ter as condições necessárias para pôr em prática todos os projectos apresentados a cada três anos. “O último Encontro teve mais momentos de debate. Este ano demonstra-se algum pessimismo embora também veja algum optimismo”, afirmou João Botas ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Na sua perspectiva, os Encontros deveriam funcionar como incentivos adicionais por forma a que “haja condições para que, no espaço que vai entre os Encontros, as Casas de Macau tenham condições para fazer o trabalho que desempenham e que vêm demonstrando aqui, de três em três anos”.

Nesse sentido, João Botas acredita que uma das soluções passaria por elevar as Casas a uma espécie de “embaixadores” para projectar Macau nos locais onde estão sediadas. “Não estou a dizer que tenham representação oficial, mas têm de lhes ser dadas essas condições porque muitas delas vivem situações difíceis, tudo à base do voluntariado, e hoje em dia não é fácil porque para certas coisas é preciso dinheiro”, apontou.

A título de exemplo, indicou que na Casa de Macau em Portugal foi impossível dar continuidade a um projecto que envolvia gastronomia macaense e que teve de ser suspenso precisamente por representar “custos acrescidos”. “Durante o último ano, a iniciativa foi um sucesso. Era uma vez por semana, às quartas-feiras, durante a Primavera e o Verão”, porém, “fruto da falta de condições que temos, nomeadamente para pagar cozinheiros em permanência, tivemos de dar formação a pelo menos três cozinheiros que de repente se dispersam porque depois vão para outros sítios”, contou.

Quando João Botas assumiu a vice-presidência da Casa de Macau em Portugal, uma das condições que apresentou foi precisamente implementar “dois ou três projectos que considerava âncora para que a Casa ganhasse vivacidade”. A gastronomia era nesse caso a “aposta”, mas “é preciso tempo, dinheiro, investimento e formar pessoas”.

Para além do papel que desempenha na Casa de Macau, João Botas tem um passado bastante ligado ao território. “Sinto-me em casa, vivi aqui a minha juventude”, recordou.

A viver em Portugal desde 1991/1992, João Botas saiu de Macau para frequentar um curso de Jornalismo e também porque queria “alargar horizontes”. “Ainda voltei porque deixei familiares mais directos mas tinha a noção clara de Macau”, mas “nunca fechei a porta a um eventual regresso mas nunca aconteceu por várias circunstâncias”, explicou.

Contudo, houve sempre alguns regressos temporários. “Regressei em Dezembro de 1994, ainda tinha cá familiares, e depois só voltei em 2007” para apresentar a obra sobre o Liceu de Macau. Tinham passado 20 anos e “foi um choque”, concluiu João Botas, que há oito anos fundou o blogue “Macau Antigo”