Em termos gerais, a população empregada de Macau ganhou o mesmo ou mais em 2016 do que no ano anterior, apesar de ter trabalhado menos horas, indicam dados estatísticos oficiais. Segundo os principais indicadores do emprego, as medianas de rendimentos só não aumentaram nos ramos das lotarias e jogos de aposta, bem como hotéis e transportes, armazenagem e comunicações

 

Liane Ferreira

 

Uma avaliação global à situação do emprego no território em 2016 revela que os trabalhadores ganharam o mesmo ou mais do que no ano anterior, mas trabalharam menos horas. De acordo com o inquérito anual publicado no site da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), as medianas salariais em ramos de actividade económica como a construção (15.000 patacas), comércio a retalho (12.000), restaurantes e estabelecimentos similares (9.000) registaram aumentos de 15,4%, 6,2% e 5,9%, respectivamente.

Por outro lado, os dados das medianas da carga laboral mostram que os trabalhadores da construção laboraram 46,2 horas por semana (menos 0,3 horas), enquanto os empregados do comércio a retalho (46,7 horas) e dos restaurantes (47,6) trabalharam menos 0,4 e 0,1 horas por semana. Neste ponto, é de frisar que os trabalhadores da restauração foram mesmo os que laboraram mais horas.

Relativamente ao ano precedente, sectores como o das lotarias e jogos de apostas e hotelaria mantiveram a mesma mediana dos rendimentos mensais, respectivamente de 19.000 e 12.000 patacas, mas também laboraram menos 0,2 e 0,1 horas.

Uma análise às profissões conduz a conclusões similares, já que os técnicos e profissionais de nível intermédio passaram a auferir uma mediana mensal de 24.000 patacas, mais 4,3% do que em 2015, e trabalharam menos 0,5 horas por semana. O pessoal dos serviços e vendedores também auferiu mais 1.000 patacas (11.000 no total, apresentando uma variação de 10%) e trabalhou 46,9 horas por semana, contra 47,1 em 2015.

A profissão que registou o aumento mais significativo em termos salariais foi a dos “trabalhadores da produção industrial e artesãos”, categoria que passou de uma mediana de 13.000 para 15.000 patacas, reflectindo um aumento de 15,4%. Simultaneamente, passaram menos 0,3 horas no local de trabalho, tendo em conta que a mediana foi estimada 46,4 horas.

Entre os trabalhadores não qualificados também se verifica que a mediana de rendimento mensal subiu 11,7%, ou seja mais 700 patacas, totalizando 6.700 patacas por mês, e laboraram menos 0,2 horas por semana.

Apenas a mediana salarial dos empregados administrativos se manteve em 18.000 patacas. No entanto, tal como nas outras profissões registou-se uma diminuição de 0,3 para 45,8 nas horas passadas no local de trabalho semanalmente.

 

Mediana salarial dos “croupiers” manteve-se em 19 mil patacas

Dados relativos a profissões específicas colocam os chefes, auxiliares e fiscais de bancas nos casinos como os únicos a sofrerem um decréscimo na mediana salarial mensal, que caiu 1,9% para 26.000 patacas, perdendo assim 500 patacas no intervalo de um ano. Em termos da mediana de horas (46,3), também laboram menos 0,3.

No sector do jogo, onde se registou uma diminuição de 2.400 trabalhadores em 2016, é ainda de referir que os ordenados dos “croupiers” continuam no patamar das 19.000 patacas e a carga laboral semanal recuou para 46,7 horas (menos 0,2).

Por outro lado, segundo os dados da DSEC, além do número de empregadas domésticas ter crescido de cerca de 23.000 para 24.000, verificou-se um aumento de 5,3% na mediana de rendimentos, estimada em 4.000 patacas, e uma descida de 0,3 horas no tempo de trabalho semanal (48,6).

Na área da restauração e hotelaria, a mediana salarial dos empregados de mesa passou de 7.200 para 8.500 patacas, mais 18,1%. Já os cozinheiros continuaram a auferir 12.000 patacas.

Em termos globais, a mediana do rendimento mensal da população empregada atingiu 15.000 patacas e a dos residentes 18.000 patacas, mantendo ambas os níveis de 2015. Já a mediana de horas trabalhadas por semana desceu para 46,1 (menos 0,2).

Em 2016, a taxa de desemprego fixou-se em 1,9%, embora no caso dos residentes tenha atingido 2,7%, ou seja mais 0,1 e 0,2 pontos percentuais, respectivamente, face a 2015.

Segundo os mesmos dados, a população empregada atingiu cerca de 389.700 indivíduos, menos 6.800 pessoas (-1,7%), do que em 2015, sendo de destacar a diminuição de 3,4%, ou 3.100 pessoas, na faixa etária dos 45 aos 54 anos. No ano passado, 33,9% da população empregada tinha o ensino superior e 29% o secundário complementar, percentagens que traduzem aumentos homólogos de 1,0 e 0,5 pontos.