A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego vai receber hoje e amanhã queixas de duas associações contra o aumento das taxas, em vigor desde o dia 1. Kwan Tsui Hang encara a medida como um reflexo de que o Governo pensa apenas em si próprio e a Associação dos Profissionais de Motociclos alerta para o eventual “colapso” do sector devido às alterações agora em vigor

 

Rima Cui

 

A Associação Geral dos Empregados do Ramo dos Transportes de Macau vai apresentar hoje uma queixa à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) relativamente à nova tabela de taxas e preços, que entrou em vigor no primeiro dia do ano. O grande aumento das tarifas está também a preocupar a Associação dos Profissionais de Motociclos de Macau que decidiu entregar uma petição ao organismo amanhã para solicitar a suspensão temporária da medida.

O primeiro encontro com a DSAT vai contar com a presença das deputadas Kwan Tsui Hang e Ella Lei. Para Kwan, a implementação desta medida “inaceitável para muitos cidadãos” reflecte que “o Governo pensa apenas em si próprio e muito pouco nas dificuldades dos cidadãos”. A deputada acredita que as novas tarifas vão piorar a relação entre a população e as autoridades, aumentando a insatisfação sobre o desempenho do Governo.

A mesma responsável salientou a importância dos dirigentes pensarem não apenas nas vertentes técnicas quando elaboram políticas, mas terem também em conta a viabilidade da sua implementação. Por isso, a deputada pediu mais consultas aos cidadãos antes de serem tomadas as decisões e mais cuidado quanto ao aumento das taxas.

Por sua vez, Lei Chong Sam, presidente da Associação dos Profissionais de Motociclos alertou que as alterações na tabela da DSAT “vão provocar um colapso do sector” pondo em causa o “interesse da população”.

O dirigente associativo entende que o sector ainda não está habituado ao modelo de inspecção automóvel em vigor, pelo que o aumento “exagerado” dos preços das licenças e as despesas com a inspecção dos veículos podem ser “outra forma de obrigar os cidadãos a tornarem-se infractores e a destruir totalmente o sector”, sobretudo tendo em conta as inúmeras obras viárias e a falta de qualidade dos autocarros no território.