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Selecção da RAEM confirma não ter rival nesta modalidade. Ganhou todos os jogos do Campeonato da Ásia em Haining. Juniores ficaram em terceiro e a equipa de “Inline” em sexto

 

 Vítor Rebelo

Apesar de todos os contratempos em termos de preparação, que levaram mesmo dirigentes e equipa técnica a colocarem a possibilidade de Macau colocar em risco o seu título, o certo é que os jogadores deram, em campo, uma prova de grande dignidade e qualidade.

Desde o primeiro desafio diante da Índia, no qual o “cinco” orientado por Alberto Lisboa (que também jogou) venceu claramente por 12-3, que se tiraram as primeiras conclusões, ou seja, a equipa do território estava ali disposta a não largar o título asiático.

Os indianos acabaram por ser a maior desilusão da competição, não obstante terem conseguido atingir a final.

Prometiam muito depois da réplica que deram a Macau no Asiático de Hefei, há dois anos, e queriam agora tentar chegar ao primeiro lugar. Mas o seleccionado da RAEM não deixou, impondo desde logo uma goleada, com tentos da autoria de Hélder Ricardo (7), Nuno Antunes (2), Augusto Ramos, Ricardo Atraca e Alberto Lisboa.

Foi o sinal de que era difícil “roubar” o décimo primeiro triunfo à equipa de maior prestígio da Ásia em toda a história da competição.

 

 Andamentos diferentes

E o segundo confronto, ainda na fase de todos-contra-todos, veio demonstrar a qualidade dos jogadores de Macau, com Taiwan a “sentir na pele” o andamento do adversário, com mais doze golos apontados, agora sofrendo apenas dois.

Neste jogo com a ilha nacionalista, Hélder Ricardo, que voltou a dar as vistas no panorama asiático, cotando-se sem dúvida como o melhor hoquista do torneio, facturou por quatro vezes, secundado por Ricardo Atraca (3), Alfredo Almeida (2), Alberto Lisboa (2) e Nuno Antunes.

Veio o desafio com o Japão, que regressou ao campeonato depois da ausência em Hefei, e a mesma superioridade.

Agora com oito golos marcados, Helder Ricardo (6), Augusto Ramos e Alberto Lisboa, e sem os guarda-redes consentiram qualquer tento, o que significava que a equipa estava a melhorar ainda mais, produzindo um hóquei de bom nível.

Confirmação de qualidade

Face aos regulamentos estabelecidos como que “em cima da hora”, face à desistência do Paquistão, a Confederação Asiática decidiu fazer disputar meias-finais e final.

Macau começou por “cilindrar” (7-1) novamente os japoneses, golos de Hélder Ricardo (4), Augusto Ramos (2) e Alberto Lisboa, enquanto que na outra meia-final Taiwan ultrapassava a Índia.

Não houve surpresa na discussão do título e a selecção da RAEM não deu qualquer hipótese à Formosa, averbando um triunfo por 13-3., com os tentos a serem obtidos por Hélder Ricardo (7), Alfredo Almeida (3), Augusto Ramos, Ricardo Atraca e Alberto Lisboa.

Estava consumado o décimo título no Asiático de Hóquei em Patins, com Macau a ser mais categórico do que se esperava, mantendo uma supremacia evidente a nível desta região do mundo.

É caso para dizer que as muitas dificuldades sentidas na preparação, com grandes obstáculos pelo meio, terão “acicatado” os jogadores, que voltaram a contar, dentro do rinque, com a valiosa ajuda do veterano Alberto Lisboa.

 

 Jogadores superaram-se

A equipa esteve quase sempre bem, a um nível bastante elevado. “Não tínhamos expectativas altas, em virtude das condições deficientes ao nível da preparação, no entanto houve dois factores que contribuíram para este sucesso. Primeiro os nossos jogadores superaram-se, jogaram muito bem. Foram uma verdadeira equipa e isso levou ao título. Por outro lado as outras equipas, nomeadamente a Índia, que acabou por ficar em último, não concretizaram as expectativas que se estava à espera”, diz António Aguiar, presidente da Associação de Patinagem de Macau.

O número um do hóquei do território, antigo dirigente da Confederação Asiática, quase perdeu a voz nos incentivos à equipa e, via telefone com o JTM, felicitou os jogadores e o hóquei em patins da RAEM. “Parabéns a Macau e à Associação de Patinagem por ter equipas destas e parabéns aos jogadores, que merecem todos os elogios da nossa parte. Foi uma participação muito positiva, sem ter sido fácil, e é isto que nos vem dando alento para superar as dificuldades que temos. Mostrámos sem dúvida que continuamos a ser a melhor equipa da Ásia”.

 

Juniores em último

No que diz respeito aos mais jovens, categoria de juniores, foi o segundo campeonato asiático, depois do primeiro ter sido em Macau em 1997, no D. Bosco (ainda no piso antigo) com triunfo da formação da casa.

O “cinco” também treinado por Alberto Lisboa entrou a perdeu por duas vezes com Taiwan, 6-5 e 3-1, assim como com a Índia, não conseguindo por isso evitar o lugar de “lanterna vermelha” (terceiro e último) da prova.

Bruno Pereira foi o melhor marcador da equipa.

 

“Inline” em sexto

A RAEM esteve igualmente representada no Asiático de Inline, tendo como treinador Hélder Ricardo e acabou por estar melhor do que à partida se esperava, atendendo a que se tratava de uma prova com equipas fortes e num total de nove participantes.

A selecção do território foi sexta, à frente de Japão, Índia e Singapura, tendo ganho na fase de grupos à Índia a Singapura, perdendo com a China.

Depois, no apuramento para os quarto, quinto e sexto lugares, o seleccionado de Hélder Ricardo foi ultrapassado por Irão e por Hong Kong.

Mesmo assim o balanço é considerado positivo. “Para uma equipa que treinou junta apenas durante um mês, não foi nada mau ficar a meio da tabela, Perdemos com o vice-campeão e com o Irão fizemos um jogo espectacular, só derrotados nos últimos minutos. Face a Hong Kong só fomos a baixo na segunda parte, por cansaço. O balanço é, por isso, muito positivo, mas fica a sensação de que se pode fazer melhor, com mais preparação”, salienta António Aguiar.

Neste campeonato de Inline a vitória pertenceu a Taiwan, à frente de China, Coreia do Sul, Irão e Hong Kong.