Sir Roger Lobo, uma das principais figuras da comunidade portuguesa de Hong Kong, faleceu no sábado, aos 91 anos, vítima de cancro. A morte do antigo deputado e empresário foi lamentada em Macau por diversas personalidades ouvidas pelo JORNAL TRIBUNA DE MACAU, que recordam uma “figura ímpar da comunidade macaense”

 

Pedro André Santos

 

A morte de Rogério Hyndman Lobo, mais conhecido como Sir Roger Lobo, foi uma “triste notícia” para Macau, devido sobretudo ao contributo do antigo empresário para o território. Sir Roger Lobo faleceu no sábado, com 91 anos, vítima de cancro, deixando mulher, dez filhos, 28 netos e 17 bisnetos, noticiou o “South China Morning Post”.

“Fiquei muito triste com o falecimento de Sir Roger Lobo, uma pessoa que sempre mostrou o seu amor e carinho para as pessoas de Hong Kong e Macau. As suas contribuições para a comunidade foram enormes, para mim será sempre recordado com imenso respeito, bem como um grande amigo. As minhas sentidas condolências para a sua família”, disse Ambrose So, cônsul honorário de Portugal em Hong Kong, numa nota enviada ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

José Luís Sales Marques destaca uma “figura ímpar da comunidade macaense”, sobretudo em Hong Kong, onde teve uma grande contribuição para a sociedade. “É uma triste notícia. Vai deixar um espaço importante por preencher na medida em que a geração de Sir Roger Lobo é uma geração de pessoas que tinham, e têm, um grande apego e ligação a Macau. É uma geração que teve um papel muito importante na construção da comunidade macaense, aquilo que é hoje o Conselho das Comunidades Macaenses também passou pelo esforço de todos aqueles que, como ele, contribuíram para que o Clube Lusitano de Hong Kong fosse uma referência no conjunto das instituições macaenses espalhadas pelo mundo”, destacou o presidente do Conselho Permanente das Comunidades Macaenses.

Questionado pelo JORNAL TRIBUNA DE MACAU sobre uma possível homenagem a Sir Roger Lobo no território, Sales Marques referiu que “não está ainda definido”, mas “naturalmente faremos as coisas que forem necessárias para o homenagear”.

Anabela Ritchie destaca também o papel de Roger Lobo como “uma figura de grande prestígio”, que “exerceu os mais variados e altos cargos em Hong Kong”, onde tinha uma grande influência. “Para nós macaenses era com muito gosto que acompanhávamos a sua carreira, sabendo inclusivamente que foi uma pessoa muito ligada a Macau e que nunca deixou de acarinhar a vida de Macau e o seu progresso”, começou por dizer a antiga presidente da Assembleia Legislativa. “Durante a administração portuguesa vinha de vez em quando ao território, mas não era com muita frequência. Em conversa com ele percebia-se que acompanhava a vida de Macau com muito carinho, sempre lembrado das suas raízes, isso era muito visível e a imagem que guardo dele”, recordou.

Apesar de o conhecer há muito tempo, Miguel de Senna Fernandes apenas começou a privar com Roger Lobo na última década. “Foi uma figura ímpar da comunidade portuguesa de Hong Kong, sobretudo da macaense. Sempre esteve a exercer funções de alguma importância, tanto assim que recebeu o título atribuído pela Rainha de Inglaterra”, disse o presidente da Associação dos Macaenses de Macau, referindo-se ao título honorífico britânico de cavaleiro concedido em 1984. “Nunca deixou de ser português, era patriota à sua maneira, e à maneira de muitos que estão fora de Portugal. Sir Roger Lobo dinamizou a sua comunidade em Hong Kong, especialmente através do Clube Lusitano. Foi uma perda da comunidade da diáspora”, acrescentou.

Miguel de Senna Fernandes recordou ainda os momentos em que teve a oportunidade de estar com Sir Roger Lobo, notando “uma pessoa muito simples, apesar do passado ilustre que teve”.

Descrevendo Roger Lobo como “um amigo de família”, Henrique Nolasco destaca também “um contributo muito grande em Hong Kong” de uma pessoa “com uma acção cívica muito prolongada e importante”. “Era uma pessoa com imenso valor, tenho uma grande admiração por ele, pelos seus princípios, sempre a ajudar a comunidade. Grande parte dos seus contributos foram feitos em Hong Kong em prol da comunidade, tanto da portuguesa como de outras etnias. Foi também agraciado por diversas comendas pelo governo inglês, o seu percurso fala por si”, acrescentou o economista.

Roger Lobo nasceu em Macau a 15 de Setembro de 1923, tendo-se destacado sobretudo como elemento activo da vida pública de Hong Kong, onde foi membro do “Urban Council” entre 1965 e 1978, do Conselho Executivo, entre 1967 e 1985 e do Conselho Legislativo, entre 1972 e 1985. Ganhou lugar próprio na política da região vizinha em 1984 quando apresentou no Conselho Legislativo a que ficou conhecida e foi aprovada como “Moção Lobo”, que exigia que todas as propostas em debate entre o Reino Unido e a China referentes à transferência de soberania de Hong Kong, concretizada em 1997, fossem debatidas pelo Conselho antes de qualquer decisão ser tomada pelos dois países.

Para além do título de cavaleiro, Roger Lobo recebeu também da coroa britânica os títulos de oficial da Ordem do Império Britânico, em 1972 e de comandante da Ordem do Império Britânico, em 1978.