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A diferença de qualidade entre os dois territórios voltou a ser evidente. Associação não parou campeonato de Bolinha e a selecção local ressentiu-se frente a Hong Kong. Amanhã há Ka I-Monte Carlo na Bolinha

 

Vítor Rebelo

 

Todos os anos o futebol dos dois lados se defronta para o histórico Interport, que outrora servia para avaliar a evolução das equipas de Macau e Hong Kong, quase sempre a favor do território vizinho.

A partir de certa altura e já que a diferença se acentuava de ano para ano, Hong Kong nunca mais apresentou a verdadeira selecção, ou seja, a considerada mais forte do momento, dando sempre oportunidade a jovens jogadores.

Nesta edição de 2014 voltou a ser assim, com a deslocação à RAEM de uma formação de Sub-21, com muitos dos jogadores (profissionais) a integrarem as equipas da I Divisão de Hong Kong.

E a superioridade, esperada, do “onze” da antiga colónia britânica, começou a fazer-se sentir cedo no desafio, com a diferença de ritmo de jogo e de preparação física.

Por falar em estado físico, não se compreende como a Associação de Futebol de Macau não fez qualquer alteração ao calendário de jogos da Bolinha, tendo em vista este jogo do Interport, que não deixa de ser um confronto oficial.

No dia anterior, sexta-feira, o Monte Carlo e o Lai Chi, equipas que utilizam muitos dos jogadores do clube de Rafael e Firmino Mendonça, tiveram um desafio do futebol de sete, para menos de vinte e quatro horas depois terem de actuar face a Hong Kong.

A selecção, que, diga-se, foi a principal, deveria ter tido pelo menos uma semana de trabalho, calmo, sem pensar nos campeonatos internos, podendo assim oferecer uma melhor réplica a Hong Kong.

Alguns dos jogadores terão mesmo pedido ao treinador Leung Sui Wing para não entrar de início porque se encontravam cansados dos jogos da Bolinha.

 

Pouca preparação

E essa tal maior frescura física notou-se a favor de Hong Kong, como se já não bastasse o nível técnico dos seus jogadores e o seu futebol habitualmente mais evoluído, independentemente do tipo de equipa que se apresenta diante de Macau no Interport anual.

“Tem de haver melhor e mais preparação neste tipo de confrontos da selecção, porque não se justifica que Macau tenha um desafio, que não deixa de ser importante, diante de Hong Kong e o campeonato interno, de Bolinha, não seja interrompido”, começou por referir ao JTM, Nicholas Torrão, jogador do Benfica que jogou os 90 minutos da partida que teve lugar no Estádio da Taipa.

“Numa tarde de muito calor, alguns dos nossos jogadores estavam cansados, o que é normal, já que actuaram pelos seus clubes no dia anterior. Por isso, a diferença voltou a notar-se, em especial no decorrer dos primeiros 45 minutos, em que Hong Kong dominou e marcou três golos. Durante esse período não tivemos praticamente hipóteses de golo, tendo melhorado na segunda parte, na qual já jogámos melhor, tivemos mais bola no pé, marcámos um golo, num estupendo chapéu de Leong Ka Hang e segurámos melhor no sector recuado.”

O avançado benfiquista jogou o tempo todo a ponta-de-lança, mas contou com pouco apoio, “situação que melhorou na segunda parte com a entrada de Leong Ka Hang.”

Hong Kong já ganhava ao intervalo por 3-0 e na segunda metade, aos 63, Macau reduziu com um golão de Leong Ka Hang.

 

Diferença do treinador

Em termos de portugueses, a selecção de Leung Sui Wing contou também com Vinício de Morais Alves, outro elemento do plantel do Benfica.

Vinício deixou mais críticas em relação aos planos de preparação. “Estivemos parados durante cerca de um mês, porque razão não se fez este jogo nessa altura, antes de começar o campeonato de Bolinha, ou então depois de terminar a prova de sete. Ou então com uma paragem de uma semana. É que muitos dos nossos jogadores estavam cansados e isso só beneficiou ainda mais Hong Kong, que tem muito mais velocidade e são profissionais”, afirmou no final da partida.

O jogador campeão pelas “águias” no futebol de onze de 2013, dá a entender que faltou ambição a um treinador que “nem sempre aparece aos treinos”…

“A diferença entre Macau e Hong Kong também se vê pelos treinadores. O nosso nem sempre está connosco nos treinos. Depois, jogámos desapoiados lá na frente, só com um avançado. Na segunda parte, com a entrada de Leong Ka Hang a fazer pressão sobre os defesas adversários, tudo foi diferente e Hong Kong já não subiu tanto.”

Vinício também não concorda com a hora do jogo, considerando que “três e meia, com aquele calor, é difícil de aguentar.”

 

Remodelação precisa-se

A selecção de Macau voltou assim a ser derrotada pela sua congénere de Hong Kong, no último desafio deste ano a nível internacional, voltando a apostar-se praticamente só em atletas chineses, com as excepções de Nicholas Torrão e Vinício Morais Alves (Ricardo Torrão estava convocado, mas não pôde jogar por se encontrar fora do território).

Daqui a mais alguns meses já haverá jogadores com BIR, por isso disponíveis para integrar a selecção, como são os casos de Cuco e Timba.

Mas há outros futebolistas, de origem portuguesa ou não, que bem poderiam ser chamados por Leung Sui Wing para este tipo de confrontos, na tentativa de dar maior consistência e experiência ao colectivo, ainda que se mantenha uma base de jovens jogadores que têm vindo a ser trabalhados pela Associação de Futebol de Macau.

 

Jogo grande na Bolinha

com Ka I/Monte Carlo

Entretanto, prossegue amanhã o campeonato de Bolinha da I Divisão, com um desafio de grande cartaz do Grupo B: Ka I-Monte Carlo.

As duas equipas ainda não desperdiçaram pontos nos três jogos realizados e têm manifestado “veia goleadora”.

Prevê-se um encontro de espectáculo no D. Bosco, isto depois de na ronda anterior o Ka I ter superado sem grandes problemas o Wing Kei por 5-0 e o Monte Carlo ter ultrapassado o sempre perigoso Lam Ieng por 3-0, com todos os tentos a serem apontados pelo brasileiro Rafael Medeiros, a passar por um bom momento de forma.

O Ka I está, como se sabe, a defender o título do ano passado e as exibições têm mostrado que os “encarnados” perseguem a revalidação.

“Estamos com um bom entrosamento e estes três jogos têm servido para isso. Penso que estamos acima do esperado, mas vem já aí um teste de fogo diante do Monte Carlo, que também está forte. Vai ser um grande desafio e o Ka I vai tentar impor o seu ritmo habitual, com posse de bola e procura de espaços para fazer o golo”, afirma outro brasileiro, Diego Patriota.

Do lado do Monte Carlo, o técnico Tam Iao San espera um desafio aberto. “Vai ser certamente um grande jogo, ainda por cima num dia feriado e por isso muita gente irá assistir. O Ka I está forte, mas nós também queremos ganhar. Temos de fazer o equilíbrio defesa/ataque e tentar surpreender o adversário.”