É “impressionante” a aposta feita por Macau na Língua Portuguesa com vista a criar uma ampla rede de ensino, considera o presidente da Associação Internacional de Lusitanistas. Para Roberto Vecchi, os resultados desse investimento não se traduzem apenas em termos numéricos mas também qualitativos, numa zona do mundo que é das “mais dinâmicas” no ensino da Língua de Camões

 

Catarina Almeida

 

O presidente da Associação Internacional dos Lusitanistas (AIL) considera “surpreendente” e “impressionante” o investimento de Macau na Língua Portuguesa em Macau para a construção de uma “rede mais ampla de ensino linguístico”. Para Roberto Vecchi, essa aposta vê-se em termos numéricos mas também na “qualidade das apresentações, dos projectos, das investigações, dos colegas chineses de Macau e da China em particular”.

“O que se percebe é que estamos numa comunidade de pares, ou seja, não há um norte ou sul da associação mas estamos todos num diálogo de patamar e troca recíproca”, afirmou Roberto Vecchi, em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

O Congresso da AIL termina na sexta-feira, mas após dois dias de conferências e sessões paralelas já é possível vislumbrar um resultado muito positivo, apontou o responsável.

Sendo esta uma estreia da associação em terras asiáticas, Roberto Vecchi vê vantagens para os dois lados, incluindo Macau. “É uma fase importantíssima para a associação por duas questões. Não é só a questão inaugural de estar na Ásia mas a questão mais importante para uma associação como a nossa, disseminada, é encontrar um mundo de novos colegas que levam para a associação os seus projectos de investigação, temas e linguagens. Para nós é um enriquecimento enorme”, destacou.

“O resultado e a expectativa depois desta experiência é realmente ter potencial para criar novas redes de investigação, intercâmbios, projectos de didática universitária”, acrescentou Roberto Vecchi indicando que o salto para o Oriente reflecte também a visão global que a Associação Internacional dos Lusitanistas quer ver crescer. “Essa internacionalização da associação permite valorizar o melhor que temos: uma vocação para a investigação, ensino académico de alta qualidade no mundo em vez de estarmos fechados nos nossos gabinetes e universidades. Esperamos ver uma nova fronteira que, de facto, se abra”, sublinhou.

Nesse contexto, sublinhou, o “mundo asiático” é um dos mais “dinâmicos do ponto de vista do ensino da língua portuguesa”.

 

Plataforma9 colmata

lacuna fundamental

O presidente da Associação Internacional dos Lusitanistas falava à margem de uma conferência plenária na qual foram divulgados dois projectos ligados à associação: Plataforma9 e a revista “Veredas”.

Apresentado por Rui Vieira Nery, director do programa língua e cultura portuguesa da Fundação Calouste Gulbenkian, e Elias Feijó Torres, o projecto da Plataforma9 foi pensado e elaborado pela AIL com a contribuição financeira e a tutela institucional da Fundação Calouste Gulbenkian. Na altura, a associação era presidida precisamente por Elias Feijó Torres.

“Para nós foi logo evidente que havia um terreno a explorar e depois de várias hipóteses que se puseram de colaboração achámos que havia uma lacuna fundamental que não era preenchida por nenhuma das plataformas existentes”, vincou Rui Vieira Nery, notando que a Plataforma9 pretende responder directamente aos interesses da comunidade de investigadores e professores que trabalham com o Português. “Quer-se uma plataforma que não seja dirigista, que seja aberta, que reflicta a pluralidade da nossa experiência e múltipla origem dos nossos pontos de partida diversificados”.

Além disso, realçou o objectivo de cruzar sobretudo “informação que nos permita saber quando é que há congressos, colóquios, eventos, vagas de investigação ou docências em universidades, programas de financiamento para projectos de investigação, entre outros”.

O projecto foi criado em 2014 e pretende tornar-se num meio de comunicação “exemplarmente multidisciplinar”, referiu.

O 12º Congresso Internacional da AIL continua hoje, a partir das 09:00, no Instituto Politécnico de Macau.