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A Universidade de Macau celebrou o Dia do Português com uma mesa redonda. Os convidados, que vieram de Portugal, Brasil e EUA participaram também numa avaliação externa do Departamento de Português da instituição que deverá estar pronta no prazo de três semanas

 

Susana Diniz

 

Uma mesa redonda assinalou na sexta-feira o Dia do Português na Universidade de Macau, com a presença de intelectuais de Portugal, Brasil e EUA que vieram à RAEM fazer uma avaliação externa ao Departamento de Português da instituição. Antes de se juntarem a personalidades locais no debate, Helena Buescu, da Universidade de Lisboa, Laura Cavalcante Padilha, da Universidade Federal Fluminense, e David Jackson, da Universidade de Yale, avaliaram o Departamento nos dois dias anteriores e irão entregar o relatório à UM no prazo de três semanas.

Segundo Helena Buescu, os avaliadores terão em conta “documentação escrita”, “reuniões presenciais com os vários corpos institucionais (incluindo professores e alunos), visita às instalações e “análise dos materiais produzidos, publicações, entre outros”. “O conjunto de contactos é que nos permite ter uma ideia de como é que o departamento está a funcionar, não apenas internamente mas também em termos de adaptação aos públicos alvo”, disse.

Durante a mesa redonda, o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM), salientou que o número de interessados em estudar português está a aumentar por uma opção política estratégica, no quadro de um “novo paradigma” no que diz respeito à lusofonia. Segundo Carlos André, o foco do interesse dos novos estudantes mudou e isso “deve ser levado em consideração por quem ensina”.

“O que manda um chinês estudar português é uma coisa chamada mercado, que anda de braço dado com outra coisa que se chama emprego”, sintetizou, ao sustentar que “a grande riqueza do português é a diversidade cultural”.

Apesar da “inversão de prioridades” na escolha da aprendizagem do Português, Carlos André sublinhou a importância da componente cultural nos currículos. “A cultura tem que ser ‘servida’ atrás da língua e não em primeiro lugar como acontecia antes. Cabe aos docentes essa ginástica de introdução de conceitos culturais importantes na compreensão do português”, disse.

 

A “ponte perfeita”

Apontando Macau como local “onde a diversidade cultural acontece”, Carlos André mostrou-se optimista com o papel do território em relação ao português. “Somos a ponte perfeita, só precisamos de aproveitar bem”, disse.

Actualmente, a língua portuguesa é estudada em 28 universidades do Interior da China. O responsável do IPM estima que haverá “pelo menos 1.400 estudantes de Português na China”, com tendência a aumentar. “A cada visita surge um projecto novo. Vai avançar o ensino do português na universidade de Chengdu, em Sichuan, já estão a trabalhar na acreditação do curso. Em Xinjiang ainda estamos em fase de conversações mas também estou confiante que estará para breve”, afirmou.

Por sua vez, Helena Buescu apresentou um projecto que dirige há cinco anos e “que consiste na realização de seis ou sete antologias de literatura mundo traduzidas para português”. No caso de Macau, a literatura escrita em português faz parte do primeiro volume, já concluído. “Este primeiro conjunto reúne textos literários em português de Portugal ao lado de outros países”.

O cônsul-geral para Macau e Hong Kong também marcou presença no evento e assumiu-se naturalmente como defensor da Língua de Camões, salientando, inclusive, que estudos do “British Council” provaram que “o português é uma língua sexy”. Vítor Sereno reforçou a sua convicção com o crescente interesse pelo Português por parte de jovens e “países que aparentemente nada têm a ver com a língua ou a cultura portuguesa”. Em declarações ao JTM, Vítor Sereno mostrou-se ainda esperançado de que “com a mudança para o novo campus o Departamento de Português da Universidade de Macau possa aumentar ainda mais”.