As receitas brutas dos casinos de Macau subiram “apenas” cerca de 3% nos primeiros 10 dias de Setembro, em linha com as projecções dos analistas. Embora o sector se prepare para registar o 14º mês consecutivo de crescimento, o factor sazonalidade e os reflexos do tufão “Hato” deverão influenciar os resultados finais

 

Sérgio Terra

 

Depois de sete meses marcados por taxas de crescimentos com dois dígitos, as receitas brutas dos casinos estão a desacelerar em Setembro, tendência que deverá manter-se até ao final do ano desde logo por passarem a estar em causa bases comparativas homólogas mais elevadas. Já antecipado pelos analistas que acompanham o sector, este abrandamento deriva também de mais dois factores: a sazonalidade – Setembro não consta entre os meses tradicionalmente mais produtivos – e os reflexos da passagem do tufão “Hato” que, além dos elevados danos na cidade, afectou as operações dos casinos, dois dos quais ainda não retomaram o funcionamento normal.

Nos primeiros 10 dias de Setembro, o total das receitas brutas ascendeu a cerca de 6,8 mil milhões de patacas, equivalendo a uma média diária de 680 milhões, de acordo com dados recolhidos pela Sanford C. Bernstein. Salientando que os números apurados no primeiro terço do mês estão “em linha” com a sua estimativa anterior, a consultora indicou ainda que a facturação diária traduz, por um lado, uma quebra de 8% face aos 741 milhões de patacas contabilizados em Agosto e, por outro, um aumento de 3% em comparação com o período similar do ano passado (663 milhões).

Nas semanas anteriores aos tufões “Hato” e “Pakhar”, as médias diárias variaram entre 715 e 828 milhões de patacas.

“Embora a desaceleração em Setembro seja esperada devido à sazonalidade mais fraca, os primeiros 10 dias do período abrangeram dois fins-de-semana completos. As receitas brutas do jogo sofreram o impacto da passagem do tufão Hato (que devastou Macau no final de Agosto)”, refere a empresa numa nota aos clientes assinada por Vitaly Umansky e Zhen Gong.

Segundo os cálculos da dupla de analistas, no período em análise, a diminuição das receitas do mercado de massas ter-se-á situado na faixa percentual do “meio dígito” em termos mensais, enquanto o segmento VIP recuou na ordem dos 10%, em parte devido a uma “ligeiramente menor” taxa de retenção do volume apostado.

Tendo em conta o valor das receitas geradas nos primeiros 10 dias, e assumindo que a média diária no período remanescente deste mês venha a oscilar entre 650 e 680 milhões de patacas, a Sanford C. Bernstein prevê que as contas finais de Setembro registem um valor entre 19,8 e 20,4 mil milhões de patacas. Caso se concretize esta projecção, o sector do jogo em casino irá beneficiar de uma taxa de crescimento entre cerca de 8 e 11%, comparativamente aos 18,4 mil milhões encaixados um ano antes.

Representará assim o 14º mês consecutivo em alta, mas também o acréscimo menos expressivo deste ano depois da subida de 3,1% em Janeiro. Desde então, as receitas avançaram sempre dois dígitos na variação homóloga, com as percentagens a superarem mesmo os 20% em Maio (+23,7%), Junho (+25,9%), Julho (+29,2%) e Agosto (+20,4%).

No cômputo geral dos primeiros oito meses do corrente ano, as receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar totalizaram 172 mil milhões de patacas, reflectindo uma subida de 19,1% em relação a igual período de 2016, de acordo com dados publicados no site da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos.