Situado no coração do território, o edifício da Farmácia Popular está a ser alvo de reparação. As obras na fachada terminam em Novembro e irão custar 200 mil patacas, avançou o Instituto Cultural ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. Em 2015, o organismo tinha instado a Santa Casa a assumir a responsabilidade das obras, mas dois anos depois acabou por assumir os gastos

 

Catarina Almeida

 

O edifício que alberga a empresa de matriz portuguesa em actividade há mais tempo em Macau com uma ocupação centenária e contínua, a portas-meias com o edifício-sede da Santa Casa da Misericórdia, está a ser alvo de trabalhos de restauro por parte do Instituto Cultural (IC), colocando assim um ponto final num impasse que se arrastava desde 2015.

Criada em 1985, a Farmácia Popular tem sede no Largo do Senado – zona classificada como Património Mundial da UNESCO – e está desde Setembro a ser alvo de reparação depois do próprio organismo cultural ter apontado a necessidade de restauro da fachada que chegou a notificar à Santa Casa, por carta, em Agosto de 2015.

No documento a que o Jornal TRIBUNA DE MACAU teve acesso, o IC apontava para a existência de “rachas verticais na linha decorativa do parapeito do prédio, descasque de tinta na parede exterior de uma das laterais e ainda crescimento de plantas”. Na altura, o organismo imputou ao proprietário – neste caso a Santa Casa – a “responsabilidade legal” de fazer “obras de manutenção o mais cedo possível”.

Em Outubro do mesmo ano, a Santa Casa respondeu ao IC corroborando a necessidade das obras mas advertindo que, enquanto proprietária, não dispunha dos “conhecimentos técnicos necessários para mandar executar tais obras”. Nesse documento, a que este jornal também teve acesso, a SCM solicitou ao IC a “elaboração de um parecer técnico por peritos da área de preservação de imóveis de interesse patrimonial, com a respectiva previsão de custos inerentes”.

Dois anos depois, arrancaram finalmente os trabalhos de restauro e reparação no edifício da Farmácia Popular. E, ao contrário do que tinha sido inicialmente proposto pelo IC, os custos acabaram por ser garantidos pelo próprio organismo.

Numa resposta a este jornal, o Instituto Cultural explicou que está a levar a cabo “obras de renovação na fachada da construção relativa”, que deverão estar concluídas em Novembro. Ao todo, o IC irá desembolsar 200 mil patacas para dar um novo ar ao edifício centenário.

Sobre estes trabalhos, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que as obras não serão pagas pela Irmandade a que preside até porque o edifício integra “o Centro Histórico de Macau, e a Farmácia é um edifício histórico classificado”. “Não estamos envolvidos em termos de encargos”, frisou António José de Freitas.

Quanto a possíveis reparações no edifício-sede da Santa Casa, ainda não há novidades. Questionado sobre essa necessidade, o Instituto Cultural apenas indicou que as 200 mil patacas destinadas às obras na Farmácia Popular “não incluem o edifício da Santa Casa da Misericórdia”.

No entanto, a necessidade de reparar a fachada do edifício já foi levantada. Segundo António José de Freitas, o prédio apresenta algumas “rachas bem visíveis”. “Como está pintado de branco há sempre aquele problema quando chove, a poeira e as águas quando correm deixam vestígios”, alertou o Provedor.