Depois do CPSP ter indicado que a Assembleia Legislativa solicitou apoio policial no dia da votação da suspensão do mandato de Sulu Sou, Ho Iat Seng justificou o pedido com a necessidade de “manter a ordem”, numa altura em que há muitos protestos. O presidente da AL admitiu ainda não ter gostado das reacções de membros do Novo Macau dentro do Plenário

 

Viviana Chan

 

A presença de polícias à paisana na Assembleia Legislativa (AL) no dia da votação da suspensão de Sulu Sou foi requisitada por Ho Iat Seng, que entende ser preciso “manter a ordem”. “Agora há muitos protestos, os pais dos filhos maiores, os compradores de Pearl Horizon. Temos de estar preparados”, declarou, salientando que a Lei Básica prevê o direito de manifestação que é bem aplicado.

“Naquele dia, anunciei o encerramento da reunião e saí. Não vi o caos que se passou aqui com os cidadãos [o pequeno protesto da Novo Macau]. Não queria que acontecesse nada de mal, nem gostei de ver as pessoas a fazerem aqueles gestos, mas não disse nada”.

Ho Iat Seng rejeitou a ideia de que ter agentes à paisana na AL prejudica a imagem do órgão legislativo, garantindo que só podem entrar na sala do Plenário com autorização do presidente. Quando os agentes policiais são solicitados pela AL têm de usar identificação, o que não aconteceu, mas Ho Iat Seng disse não saber pormenores sobre essa situação.

“Mesmo que os agentes recebam ordem para agir, não podem sem eu dar autorização. Da última vez, houve quem mandasse aviões de papel no Plenário e primeiro mandámos os seguranças. Se eles não conseguirem controlar a situação, pedimos à polícia”, explicou, referindo-se a uma acção anterior da Associação Novo Macau (ANM).

Sobre o facto dos agentes filmarem as entrevistas de Sulu Sou, Ho Iat Seng não teceu grandes comentários. “Se for um espaço público e um cidadão normal, é uma questão a pensar, mas não comento o trabalho da polícia”, disse, assegurando não ter pedido a gravação.

“Se convidei, podem estar dentro da AL, podem fazer o seu trabalho. Gravar um vídeo não perturba os outros, é um espaço público (…) tanta a gente a filmar-me e não pediram a minha autorização. Sou uma figura pública, tenho de aceitar isso. Hoje em dia, toda a gente tem telemóvel, todos podem ser jornalistas”, sustentou.

O presidente do Hemiciclo mencionou ainda que Macau é uma cidade livre e “jornalistas estrangeiros entraram na AL”. “Nem sabíamos quem são, mas deixámos entrar”, declarou.

Ho Iat Seng apontou ainda o dedo a chefias da Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura que tiraram fotografias no lugar da presidência. “Já falei com a secretária-geral da AL, advertindo que tal não pode acontecer. Devo ser pelo menos avisado. Se eu levar todos os deputados para os escritórios dos secretários, tenho de avisar”, salientou.

Em comunicado, a AL esclareceu que, nos termos do Regimento da AL, compete ao Presidente manter a ordem, a disciplina e a segurança “tomando as medidas que entender convenientes”. “Quando se conclui que é necessário apoio para assegurar a ordem e garantir o funcionamento das reuniões plenárias, a AL solicita-o à Polícia”, concluiu.

Para a ANM, a presença da polícia para fiscalização é uma falta de respeito à AL e perturbação do trabalho da imprensa. A associação negou que Sulu Sou tenha questionado os agentes de propósito e criticou o CPSP por não ter justificado porque é que os polícias estavam à paisana, quando o Estatuto dos Militarizados determina que se identifiquem “prontamente (…) mediante o instrumento legalmente aprovado” sempre que isso seja solicitado ou as circunstâncias o exijam.