Incêndio deflagrou no templo de A-Má a 10 de Fevereiro

O Instituto Cultural ainda está à espera que a associação que gere o templo de A-Má entregue uma proposta de restauro das áreas do edifício que foram atingidas pelas chamas durante o Ano Novo Chinês, disse Ung Vai Meng ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU. De qualquer forma, o líder do organismo garantiu que a factura será suportada pela própria associação

 

Viviana Chan

 

Cinco meses depois de um incêndio ter danificado um altar e painéis de madeira no pavilhão principal do templo de A-Má, ainda não avançaram as obras de restauro. Segundo Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural (IC), a responsabilidade do atraso pertence à Associação de Piedade e Beneficência do Templo A-Má, entidade responsável pela gestão do edifício que integra o conjunto do Centro Histórico classificado como Património Mundial pela UNESCO.

“Estamos à espera que eles [os proprietários] entreguem a proposta de restauração, que já exigimos por várias vezes”, disse ontem o líder do IC ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Ung Vai Meng sublinhou que, neste tipo de casos envolvendo danos patrimoniais, é aos gestores dos espaços em causa que compete definir os planos de restauro, cabendo ao IC avaliar as propostas antes da respectiva execução.

Independentemente do conteúdo do plano a apresentar pela Associação de Piedade e Beneficência do Templo A-Má, o presidente do IC assegurou que o Governo não irá pagar as obras de reparação no Templo de A-Má. Embora reconheça que o Governo tem a responsabilidade de proteger o património, neste caso do incêndio “o proprietário deve assegurar os custos de restauro”, salientou Ung Vai Meng.

Em Fevereiro, no rescaldo do incêndio, que teve origem num curto-circuito, o Instituto Cultural indicou que as obras de restauro do pavilhão principal do Templo de A-Má deveriam durar cerca de um ano, embora a recuperação da estrutura pudesse ficar concluída no prazo de dois a três meses.

Devido à demora no plano de restauro, o presidente da Associação do Templo de A-Má, Vicente Ó, confirmou que várias festividades foram ajustadas e algumas actividades regulares tiveram de ser canceladas por causa dos estragos provocados pelo incêndio.

O JORNAL TRIBUNA DE MACAU tentou contactar Vicente Ó por várias vezes, mas não foi possível obter qualquer comentário até ao fecho desta edição. No entanto, no final de Abril, o mesmo responsável referiu que a elaboração do plano de restauro ainda estava numa fase inicial, não sendo por isso possível apontar datas para a conclusão das obras de recuperação.

Na altura, Vicente Ó defendeu ainda que o IC deveria criar um grupo especializado para acompanhar os trabalhos, por forma a garantir que o restauro não altere a aparência original do pavilhão.