Pela primeira vez, o fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro está a expor em Londres, na “The Brick Lane Gallery”, um espaço dedicado a promover novos autores de diferentes áreas. Entusiasmado com a mostra na capital inglesa, o artista explicou à TRIBUNA que a série em apresentação nunca foi publicada e centra-se na vida quotidiana no lago Tonle, no Camboja

 

Liane Ferreira

 

Desde ontem e até 14 de Janeiro, Gonçalo Lobo Pinheiro,  fotojornalista português a viver em Macau, participa numa mostra colectiva da “The Brick Lane Gallery”, em Londres, com uma série de trabalhos fotográficos intitulada “Tonle Sap”.

“O facto de expor em Londres já se reveste de um significado imenso. Faz-me tremer. É a minha primeira vez e estou muito entusiasmado e feliz”, disse em declarações à TRIBUNA, indicando que a “The Brick Lane Gallery” aposta em novos autores e promove-os nas mais diversas áreas, nomeadamente fotografia, pintura e escultura. “Para além de artistas residentes e convidados individuais, promovem eventos e temas durante o ano. O ‘Photography Now’ é um deles e eu decidi enviar o meu portfólio. Eles gostaram e aceitaram expor-me”, explicou.

Apesar de considerar que a galeria não é muito conhecida internacionalmente, Gonçalo Lobo Pinheiro nota que expõe com frequência autores estrangeiros e é localmente famosa.

“A série que vou apresentar nunca foi publicada. Foi escolhida por eles e por mim dentre duas ou três séries que mostrei à consideração. Trata-se de 15 fotografias, mas ainda não sei se serão todas expostas, sobre o dia-a-dia do lago Tonle, no Camboja, o maior lago da Ásia”, afirmou o fotógrafo.

Esta não é a primeira vez que o trabalho de Gonçalo Lobo Pinheiro ganha destaque internacional, já que em Outubro conquistou uma menção honrosa na vertente profissional dos “International Photography Awards”, além de que a foto “Shy in Hoi An” foi a escolha de editor do “The Independent Photographer” e ganhou a menção honrosa na categoria de retratos dos Prémios de Fotografia “Monovisions”.

Nos planos para 2018, está a aposta “numa divulgação mais profunda do trabalho feito no Myanmar”.

“Há muitas fotos que ainda não foram tornadas públicas e eu quero muito expor esse trabalho. Estou a ultimar com uma galeria em Lisboa, outra em Macau e, talvez, novamente em Londres”, adiantou, acrescentando que ao mesmo tempo gostaria de editar um livro com esse material.

Para Gonçalo Lobo Pinheiro, “o ano de 2017 foi muito gratificante, principalmente ao nível de alguma consagração do trabalho feito”. “Nunca tinha recebido tantos prémios e nomeações. Por isso, o nível começa a ficar elevado. Vou tentar acompanhar a tendência. Não posso ceder, tenho de continuar a trabalhar. A procurar notícias, histórias, pessoas, questões. Depois do ‘Cárcere da Pobreza’ tenho mais dois trabalhos para fazer na área social de Macau. Vamos ver como correm. É preciso mostrar os outros lados de Macau”, concluiu.

“Cárcere da Pobreza” é uma reportagem fotográfica publicada no jornal Público que vai ao encontro de pessoas que vivem na Casa Corcel.