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Nos últimos cinco anos formaram-se no Seminário de S. José dois novos padres e, actualmente, a instituição conta também com um seminarista. Os novos sacerdotes surgem após um longo interregno de quase duas décadas na formação de padres em Macau. Ainda assim, o problema da falta de párocos está longe de ser resolvido e o Bispo D. José Lai alerta para a necessidade de “mais formação”, num contexto de crescente crise de vocações. Sobre a possibilidade de Macau formar católicos do Interior da China, D. José Lai manifesta-se optimista mas diz que a decisão está dependente, em última análise, do reatamento de relações entre o Vaticano e a China. “Macau pode ajudar o Catolicismo na China”, assegura

 

André Jegundo
Depois de um interregno que se prolongou por mais de duas décadas, nos últimos cinco anos foram ordenados no Seminário de S. José dois novos padres e actualmente a instituição conta ainda com um seminarista. Apenas um dos dois padres recém-formados está actualmente em funções no território e a necessidade de ordenar mais párocos é reconhecida pelo próprio Bispo de Macau, D. José Lai.

No passado, a Diocese de Macau chegou a contar com duas dezenas de párocos mas actualmente são apenas “13 ou 14”, refere D. José Lai. O número é insuficiente face às necessidades actuais da Diocese, ainda para mais porque a média de idades dos actuais párocos ronda os sessenta anos de idade.

“Precisamos de mais formação mas não é uma tarefa fácil. Hoje em dia as pessoas gostam da liberdade e não querem se dedicar à formação eclesiástica. É um perigo deste tempo. Temos que ajudar os jovens a estarem preparados para a vida de reflexão e pensamento”, afirma D. José Lai, em declarações ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Antes da ordenação dos dois novos párocos, a formação de padres esteve interrompida durante cerca de 22 anos, sendo preciso recuar até 1993 para encontrar um outro seminarista que tenha concluído a formação no território. Até à década de 1990, frisou um elemento do Seminário de S. José ouvido pelo JTM, muitos seminaristas vieram de Portugal para estudar em Macau e alguns chegaram mesmo a ser ordenados. A maioria, no entanto, acabou por regressar ao país e a ligação entre Portugal e Macau no campo da formação religiosa acabou por não subsistir.

A Diocese calcula actualmente que a comunidade católica de residentes de Macau se situe entre as 20 e 30 mil pessoas, um número a que se juntam muitos católicos filipinos e indonésios que têm imigrado para Macau nos últimos anos.

 

Macau pode “ajudar” catolicismo na China

A Diocese de Macau e a Universidade de São José aguardam ainda uma resposta por parte das autoridades do Interior da China em relação à possibilidade de formarem elementos da Associação Católica Patriótica, a única organização católica que é reconhecida e controlada pelo Governo Central. Um pedido nesse sentido foi feito, há cerca de três anos, às autoridades da China Continental mas até ao momento a Diocese de Macau ainda não recebeu qualquer resposta.

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Quase todos os anos, o Bispo de Macau tem sido convidado para ir à China, acompanhado por padres e freiras católicas e, segundo apurou o JTM, alguns responsáveis chineses, ligados à Associação Católica Patriótica, estiveram também em Macau com o objectivo de conhecer a Universidade de S. José e a formação religiosa que é ministrada. Apesar disso, as iniciativas não produziram resultados práticos.

Isso não tem impedido algumas tentativas da Igreja local de recrutar leigos do Interior da China para a realização de formação em Macau. D. José Lai manifesta optimismo em relação a essa possibilidade e considera que Macau tem condições para “ajudar o catolicismo na China”. Sublinha, porém, que a questão está dependente da política do Governo Central e das relações entre o Vaticano e a China.

A formação de leigos católicos, freiras e seminaristas que sejam também membros da Associação Católica Patriótica será sempre realizada, acrescenta o Bispo de Macau, na perspectiva de que a distinção entre a igreja católica oficial e a clandestina possa acabar na China Continental. “Naturalmente estamos dependentes das relações entre o Vaticano e a China, mas acho que pode vir a ser uma realidade”, afirma D. José Lai.