Durante cerca de um mês diferentes estilos musicais vão percorrer a cidade. O Festival Internacional de Música apresenta a partir de Outubro espectáculos num cruzamento de culturas. Pelos vários palcos vão passar artistas de diferentes latitudes. De Portugal há fado e outras formas da cultura lusa, do passado até ao presente. A ópera também assume um lugar de destaque num ano em que se comemoram os aniversários de dois grandes compositores

 

Fátima Almeida

 

“Aida - Ópera em quatro actos” de Giuseppe Verdi assina os 200 anos do compositor

“Aida – Ópera em quatro actos” de Giuseppe Verdi assina os 200 anos do compositor

O Festival de Música abre o pano com um espetáculo inédito que nos sons carrega os mitos da Ásia e encerra com um musical de Broadway que desfia em palco uma história de amor clássica. Pelo meio tocam guitarras portuguesas  com “O Fado” cruzando nas notas os ritmos cantonenses do território. De Portugal voam os “Aduf”, “Quinteto Lisboa” e a “Orquestra Gulbenkian”. Entre 2 de Outubro e 3 de Novembro, o Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) traz a vários palcos da RAEM “artistas e grupos de renome internacional de todo o mundo”, apresentando ainda alguns dos talentos locais.

“O Fado” vai trazer a expressão singular da música portuguesa à Casa do Mandarim

“O Fado” vai trazer a expressão singular da música portuguesa à Casa do Mandarim

Com um orçamento de 36 milhões de patacas, o evento, que pretende melhorar a sua qualidade artística para chegar a um novo patamar (ver texto em baixo), reúne em vários cenários estilos como a ópera, teatro musical, música sinfónica, coral e de câmara, contemporânea, pop, alternativa e jazz. Segundo o Instituto Cultural, o programa foi desenhado para oferecer ao público “mais um encontro dinâmico entre Oriente e Ocidente”.

“Das Rheingolden – Ópera em I acto”, de Richard Wagner, inaugura a XXVII edição do FIMM. Numa produção da Ópera da Letónia, que comemora os 200 anos do nascimento do compositor, o espectáculo realiza-se às 20:00 no Grande Auditório do Centro Cultural, constituindo a primeira encenação de sempre de uma ópera de Wagner em Macau.

Orquestra de Câmara da Coreia vai actuar com Orquestra de Macau

Orquestra de Câmara da Coreia vai actuar com Orquestra de Macau

Já para assinalar o 200º aniversário da morte de Giuseppe Verdi, a 11 e 12 de Outubro o grande auditório vai ser palco de outra ópera, mas em quatro actos – Aida. Nos dias seguintes o Teatro D. Pedro V continua com esta festa da música ao receber o “Instituto de Ópera Mozart” da Áustria, que mostra a faceta “naïf” do jovem compositor com precoce talento.

As orquestras também trazem sons de várias naturezas criando em palco algumas conjugações invulgares. Vinda de Seul, a “Orquestra de Câmara da Coreia” vai realizar o concerto “Uma Vida de Herói”, com a “Orquestra de Macau”, a 19 de Outubro no

“Orquestra Gulbenkian” actua no grande auditório do Centro Cultural Cultural

“Orquestra Gulbenkian” actua no grande auditório do Centro Cultural Cultural

Centro Cultural. Esta é a primeira colaboração conjunta entre os dois grupos, e a qual conta com a colaboração “da famosa” soprano Aga Mikolaj.

Um dia antes brilhará a “Orquestra da Gulbenkian” que regressa a Macau no âmbito de uma digressão asiática. Criada em 1962 pela Fundação Calouste Gulbenkian com apenas 12 elementos, conta hoje com 66 instrumentistas e abrange um reportório que “se estende desde o período clássico até ao século XX”.

 

Fado e musicais para fechar

“Miss Saigon”, um musical da Broadway encerra o cartaz do FIMM

“Miss Saigon”, um musical da Broadway encerra o cartaz do FIMM

A 20, a Fortaleza do Monte acolhe os grupos portugueses “Aduf” e “Quinteto Lisboa”. O primeiro projecto funde “com originalidade” o passado e o presente da música portuguesa e junta nomes como José Salgueiro e José Peixoto, que pertenceu ao grupo “Madredeus”. Já o “Quinteto Lisboa” surgiu através da vontade de João Monge e João Gil,  fundadores da “Ala dos Namorados”, e de José Peixoto e Fernando Júdice, que escolherem dois jovens fadistas para dar voz ao projecto.

“O Fado” só se ouvirá entre 24 e 26 de Outubro numa combinação com os “Naamyam Cantonense”. Tendo como pano de fundo a Casa do Mandarim, Património Mundial, os dois grupos vão juntar “duas expressões de música popular ocidental e oriental”, em três concertos “únicos”. No mesmo átrio, os músicos vão juntar dois Patrimónios da Unesco.

Os espectáculos de fado têm a direcção artística do guitarrista português sediado em Macau, Paulo Valentim. A ele vão juntar-se Joana Veiga, José Manuel do Castro, Bruno Costa e Vasco Sousa. Já os “Naamyam” vão apresentar espectáculos que contêm elementos da cultura popular de Macau.

“Filarmónica de Dresdner” representa Alemanha no FIMM

“Filarmónica de Dresdner” representa Alemanha no FIMM

Entre 1 e 3 de Outubro vai dominar o musical “Miss Saigão – O Musical”, trazido a Macau por Mccoy Rigby Entertainment, no grande auditório do Centro Cultural. Em “Miss Saigão”, Alian Boublil e Claude-Michel Schonberg (os criadores de “Les Misérables”) juntamente com Richard Maltby Jr. levam “Madama Butterfly” de Puccini “para o mundo moderno, através de uma comovente homenagem ao espírito humano e uma denúncia mordaz das tragédias da guerra”.

No total, são vinte e dois programas, que incluem artistas de Portugal, Estados Unidos, Alemanha, Rússia, Espanha, Áustria, Letónia, Lituânia, Noruega, Coreia do Sul, Interior da China, Taiwan numa pauta musical que vai do antigo ao moderno. Os mais novos também integram o cartaz com o Coro dos Pequenos Cantores de Viena a darem espectáculo na Torre de Macau a 10 de Outubro.

Os bilhetes para o FIMM estão à venda a partir de 4 de Agosto na rede Kong Seng e contam com ofertas especiais na Cotai Water Jet, com campanhas como “compre um, receba dois”. O objectivo é que mais pessoas, locais e visitantes se juntem a esta festa anual da música.