Académicos instam Macau a seguir exemplo legislativo da China
Académicos instam Macau a seguir exemplo legislativo da China

Macau carece de leis e regulamentos “fundamentais” ao nível da poupança energética, alerta um estudo desenvolvido por três académicos. Embora reconheçam “alguns progressos” em prol de uma cidade sustentável, Qingbin Song, Jinhui Li e Huabo Duan entendem que os comportamentos de poupança não foram “amplamente adoptados” e o desenvolvimento das energias renováveis tem “sido lento”. Por isso, sugerem uma aposta na energia eólica

 

Catarina Almeida

 

Devido ao “rápido desenvolvimento económico de Macau, juntamente com o aumento da prosperidade económica e turística dos últimos anos, o consumo de energia tem crescido rapidamente”, gerando um “desafio energético” numa região “extremamente fraca em termos de recursos naturais”, sustentam os autores do estudo “Em direcção à sustentabilidade energética: Macau enquanto um caso de estudo”.

Tendo em conta as crescentes exigências e os recursos limitados, a RAEM tem implementado medidas para “melhorar a eficiência energética e conseguiu alguns progressos em prol da construção de uma cidade sustentável e eficiente em termos energéticos”, começam por admitir Qingbin Song (Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau), Jinhui Li (Universidade de Tsinghua) e Huabo Duan (Universidade de Shenzhen). Na perspectiva dos académicos, “o Governo de Macau tem formulado políticas e ideias para ajudar os residentes, empresas e algumas partes do sector público no sentido de melhorarem a sua eficiência energética”.

Por outro lado, apesar do “enorme potencial” para desenvolver a energia solar, especialmente a fotovoltaica, a dimensão e elevada densidade populacional da RAEM fazem com que não existam os requisitos necessários para apostar em painéis solares de grande escala, indicam os autores do estudo a que o Jornal TRIBUNA DE MACAU teve acesso.

Sublinhando que “Macau carece de leis e regulamentos de poupança energética fundamentais”, apontam o exemplo da China Continental, que implementou em 1997 a Lei de Poupança Energética (revista entretanto em 2007) no sentido de encorajar práticas de poupança energética. Nesse contexto, os académicos exortam as autoridades da RAEM a “seguir o exemplo aplicando uma legislação semelhante mais adequada à economia local, geografia e cultura”, criando também o seu próprio plano energético a 10 anos.

 

Energia eólica deve ser vista como opção

As campanhas em prol da poupança energética podem “aumentar a consciencialização e o conhecimento público sobre a crise energética e mudanças climáticas” bem como “proporcionar à sociedade os conhecimentos necessários para que tome decisões e medidas responsáveis”, destacam os académicos.

A esse nível, admitem, ainda assim, que o Governo “tem desenvolvido programas educacionais e organizado actividades comunitárias para promover a conservação energética em escolas”. Segundo um inquérito conduzido pelos académicos e que sustenta o estudo, “nos últimos 10 anos, a sensibilização em relação à poupança energética aumentou”. “No entanto, perante este grau de conhecimento, os comportamentos de poupança energética não foram amplamente adoptados”, somando-se o facto do “desenvolvimento do uso de energia solar ter sido lento”.

Para contrariar este cenário, os investigadores sugerem o lançamento de medidas adicionais, como incentivos fiscais para os investidores comerciais. Além disso, consideram que devem ser estudadas outras opções amigas do ambiente, nomeadamente, apostando na energia eólica. “O uso de novos produtos requer menos energia e a mudança para energias renováveis pode ser um encorajamento. Mais actividades promocionais podem ser realizadas para aumentar o uso de energia eficiente”, apontam.

Por isso, o Governo “poderia proporcionar incentivos económicos às empresas ou cidadãos de modo a promover a alteração para energias que permitissem optimizar o uso energético, materiais e recursos públicos”, sustentam.

Alertando que “os padrões insustentáveis de consumo energético não só ameaçam a saúde humana como a qualidade de vida”, os académicos advertem ainda que os ecossistemas ficam em risco num contexto de agravamento das mudanças climáticas.

Desse modo, “cidades sustentáveis e eficientes em termos de energia podem retardar a degradação ambiental e também ser um motor para o progresso social, a equidade, a resistência aprimorada e o crescimento económico”, afirmam.