O relatório sobre a procura de habitação pública visava esboçar o panorama que se pode esperar até 2026, no entanto, as conclusões do estudo encomendado pelo Instituto de Habitação não convencem Lam U Tou, que critica o facto de continuar a faltar um plano prático para estabilizar a oferta de fracções. Já Larry So pede medidas a curto prazo para aliviar o problema

 

Viviana Chan

 

Lam U Tou, presidente da Associação de Sinergia de Macau, criticou o relatório final do estudo sobre a procura de habitação pública, lamentando que, em vez de delinear a orientação futura da política para a construção deste tipo de casas, esteja a gerar ainda mais dúvidas.

Por um lado, Lam U Tou reconhece que a taxa de desocupação das casas vai continuar a subir, mantendo-se o problema estrutural no mercado imobiliário. De acordo com o relatório, estima-se que a oferta envolva mais de 290 mil fracções em 2026, para uma procura total de 245 mil unidades. Aliás, a taxa de desocupação poderá subir de 10% para 16% e um grupo de residentes continuará a não ter capacidade para comprar casa própria no território.

Em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Lam U Tou salientou que as previsões baseiam-se em teorias, o que evidencia falta de consideração sobre o comportamento das pessoas. “O economista que ganhou o Prémio de Nobel estuda a economia comportamental e o Governo de Macau deve ter esta mentalidade e estudar mais a fundo o tema, para perceber porque é que as pessoas querem comprar casa quando estas já são tão caras”, disse.

O mesmo responsável confessa-se desiludido porque o Governo não integrou no estudo nenhum plano concreto para resolver o problema de habitação. Na sua análise existem duas soluções: uma é estabilizar a oferta de habitação no território e outra passa por combater a especulação imobiliária.

Segundo Lam U Tou, o Governo tem um plano geral, mas continuam a faltar planos de pequena dimensão para ajudar à sua concretização. O relatório incluiu ainda a Zona A dos Novos Aterros Urbanos que deverá albergar 28 mil fracções de habitação pública, estando uma metade de reserva para ser desenvolvida mais tarde.

Afirmando que não está muito focado em números, Lam U Tou referiu que o essencial é controlar o ritmo do desenvolvimento do mercado imobiliário, através da programação da oferta de habitação. “Como colocar a ideia em prática é o mais importante, caso contrário as promessas passam a ser mentira”, salientou.

Face ao aumento do número de novas fracções à venda, Lam U Tou diz não estar optimista quanto à questão da oferta, pois a seu ver este fenómeno surgiu após a entrada em vigor da Lei de Terras, uma vez que os construtores aceleraram os projectos para não perderem os terreno. Portanto, o crescimento da oferta é “provisório”.

Também Larry So, antigo académico do Instituto Politécnico de Macau (IPM), solicitou medidas a curto prazo, receando que a política para a habitação demore muito tempo a ser concretizada.

Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU referiu que até 2021 poderá não haver oferta de habitação pública na Zona A, por isso, o Executivo deve considerar medidas de curto prazo para os agregados familiares em fila de espera.

Recorrendo ao exemplo de Hong Kong, o analista disse que se tem falado transformar os contentores em casas para abrigar pessoas temporariamente. “Não quer dizer que Macau deva fazer o mesmo, mas pelo menos deve ter medidas transitórias”, salientou.

Esperançado de que o Governo possa cumprir a sua palavra, Larry So recorda que faltam dois anos para terminar o mandato de Chui Sai On e as 28.000 fracções de habitação pública fazem parte do seu programa político para as eleições do Chefe do Executivo.

Além disso, frisou que “o Governo recuperou muitos terrenos nos últimos anos e deve acelerar o planeamento de projectos para esses lotes, ao mesmo tempo que avança com o plano de habitação pública”.

De acordo com o jornal “Ou Mun”, o presidente da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, Chong Sio Kin considera, por sua vez, que o Executivo deve promover as habitações privadas e públicas, sendo que estas últimas podem abranger um maior número de pessoas dando-lhes a opção de ter uma casa.

Por outro lado, Chong Sio Kin pediu mais liberdade para o sector privado, por forma a impulsionar o mercado imobiliário. Ao mesmo tempo, defende ser viável lançar apoio financeiro para a compra da primeira casa.