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Pedro Costa esteve ontem em Macau pela primeira vez para a estreia de “Cavalo Dinheiro”

O realizador Pedro Costa esteve ontem no território para apresentar o seu mais recente trabalho, “Cavalo Dinheiro”, uma estreia inédita de um filme que se debruça sobre a vida dos emigrantes cabo-verdianos em Portugal

 

Pedro André Santos

 

Depois de um périplo por alguns dos mais prestigiados festivais a nível mundial, o filme “Cavalo Dinheiro”, de Pedro Costa, foi ontem exibido em Macau, uma estreia inédia para o cineasta português cujo último trabalho lhe valeu o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça.

Após uma breve passagem por Hong Kong por ocasião de mais um festival, “Cavalo Dinheiro” estreou-se assim na RAEM no cinema Alegria. “Chegou por sugestão de uma das pessoas que trabalhou no filme, Gonçalo Ferreira, que vive em Macau. Tinha o filme num festival de Hong Kong, como já aconteceu com filmes anteriores, e desta vez tive tempo e fui convidado para fazer uma pequena conversa, aquilo que eles chamam de ‘Master Class’. O Gonçalo propôs que passasse aqui um dia em Macau, mostrasse o filme no cinema Alegria e falasse um pouco, e assim foi”, disse o realizador ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Segundo contou, Pedro Costa tem frequentemente marcado presença em Hong Kong, através das suas películas, embora de Macau nunca tenha recebido qualquer convite. “Outra hipótese é serem os próprios realizadores a proporem os filmes para exibição, no meu caso confesso que nunca me lembrei de Macau, nunca cá estive. Tenho alguns amigos cá que me têm dito como as coisas se passam, mas também me pareceu ser uma hipótese muito reduzida. E, de facto, é melhor se for uma só exibição, ou duas, e que o filme venha acompanhado ou do realizador ou do actor. Há sempre esse suplemento e é mais interessante porque as pessoas podem falar com quem fez o filme”, acrescentou o realizador, que, após a exibição do filme, teve a oportunidade de marcar presença numa sessão de perguntas e respostas com os presentes.

“Cavalo Dinheiro” conta a história da vida dos emigrantes cabo-verdianos em Portugal, seguindo a personagem Ventura, que vagueia por Lisboa, cidade para onde emigrara 40 anos antes. “Este filme é um bocadinho particular. Por um lado nem sequer é falado em português, é em crioulo cabo-verdiano. Depois, como os meus últimos filmes, é muito centrado nessa comunidade, tem muito a ver com uma certa classe social, até posso arriscar e dizer com um certo sofrimento também, que é alheio às preocupações de muita gente que vai ao cinema”, acrescentou.

Questionado pelo JORNAL TRIBUNA DE MACAU sobre se equacionaria fazer um filme sobre o território, o realizador foi peremptório. “Não, não sou desse género. Já o fiz duas ou três vezes no estrangeiro, mas foram as chamadas ‘encomendas’, eram coisas que eu queria fazer, muito especiais, não sobre um sítio, mas sobre pessoas, e isso interessou-me. Não sou do género de cineasta viajante”, disse.

Depois da exibição na RAEM, o filme irá agora seguir para alguns “circuitos comerciais”, explicou o realizador, com estreias europeias em Inglaterra, Espanha, França, Alemanha ou Áustria, e ainda na Ásia, onde será exibido na Coreia do Sul, Japão e talvez Taiwan.