Sessão de promoção do Fundo atraiu dezenas de participantes
Sessão de promoção do Fundo atraiu dezenas de participantes

O director dos Serviços de Economia avançou ontem que o organismo que dirige vai seleccionar cinco funcionários de empresas e serviços públicos locais para estagiar em companhias do Interior da China na área financeira. Tai Kin Ip, que participou numa sessão sobre o Fundo China-Países de Língua Portuguesa, espera assim elevar a qualidade dos quadros neste ramo

 

Inês Almeida*

Para desenvolver o sector financeiro do território, a Direcção dos Serviços de Economia (DSE) vai seleccionar cinco funcionários do sector privado e também dos serviços públicos para estagiar em empresas da China Continental. O objectivo é elevar a qualidade dos talentos deste ramo e desenvolver o sector, referiu ontem Tai Kin Ip, durante uma sessão de promoção do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa, a primeira actividade promocional após a instalação da sede do Fundo na RAEM.

Outro dos propósitos passa por acompanhar o desenvolvimento de Macau com características financeiras especiais. Os seleccionados vão receber formação por um período de nove a 12 meses para conseguirem adquirir conhecimentos que permitam melhorar a qualidade profissional do sector local. O programa deve ser lançado no fim deste ano ou no início de 2018.

Por outro lado, no seminário organizado ontem pela DSE, Tai Kin Ip referiu que as principais necessidades de desenvolvimento dos países lusófonos estão ligadas às infra-estruturas básicas de energia e manufactura, por isso, o fórum permite às empresas locais ficarem a par dessa situação caso estejam interessadas em investir.

Actualmente o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China Países de Língua Portuguesa dispõe de mil milhões de dólares americanos, dos quais 40% são investimento do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau e 60% são financiados pelo Banco de Desenvolvimento da China e Fundo de Desenvolvimento China-África.

Na mesma ocasião, Tai Kin Ip frisou que a instalação do Fundo em Macau “contribui para a participação das empresas” locais em projectos realizados nos países lusófonos além de trazer “novos destaques para o desenvolvimento financeiro com características próprias de Macau” e promover a diversificação económica.

Por sua vez, a subdirectora do departamento para os Assuntos Económicos e encarregada da divisão de Comércio do Gabinete de Ligação em Macau, Chen Xing, lembrou que desde a criação do Fundo se registou uma “subida drástica” da cooperação económica entre a China e o bloco lusófono.

“Muitas empresas de países de língua portuguesa abriram sucursais na China, que também está a realizar muitas obras em países de língua portuguesa, no valor de nove mil milhões de dólares” norte-americanos, disse a responsável, sublinhando que esta cooperação abrange áreas como marítima, tecnologia, recursos humanos, financeira e medicina, entre outras.

Por seu lado, a representante do Fundo, Jin Guanze, destacou os projectos no Brasil, Angola e Moçambique, no valor de 650 milhões de dólares norte-americanos, como resultado da crescente promoção que reforça a capacidade do Fundo, para a qual destacou também a importância do desenvolvimento do projecto de integração regional Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.

Até Julho passado, as trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa subiram 31,29%, em termos anuais homólogos, atingindo 67,61 mil milhões de dólares, de acordo com dados dos Serviços de Alfândega chineses. O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, seguindo-se Angola e em terceiro lugar Portugal.

 

*com Lusa