Directora esclareceu estratégias da Escola Oficial de Zheng Guanying
Directora esclareceu estratégias da Escola Oficial de Zheng Guanying

Wu Kit, directora da Escola Oficial de Zheng Guanying, negou que o estabelecimento tenha sido “caprichoso” no seu programa de ensino, frisando que tem seguido as exigências do Governo. Para além disso, salienta que a escola tem como objectivo ensinar várias línguas aos estudantes

Viviana Chan

 

A direcção da Escola Oficial de Zheng Guanying rejeita as várias críticas tecidas nas redes sociais e por alguns pais. Estes acusam a direcção da escola de usar estratégias “caprichosas”, exigindo que diferentes disciplinas sejam leccionadas em línguas distintas, facto que dizem afectar o rendimento dos alunos e, consequentemente, a conclusão dos estudos.

Em entrevista ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU, Wu Kit, directora da instituição, negou que a estratégia educativa seja “caprichosa”, salientando que o programa “segue o enquadramento do ensino não superior que é feito pelo Governo”. Por outro lado, frisou que o objectivo do ensino de línguas foi definido logo na criação da escola, em 2011.

Wu Kit explicou que os conteúdos de ensino, além de respeitarem as exigências da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), incluem treino em línguas: mandarim, cantonês, português e inglês. Aliás, sublinhou que este objectivo também está incluído na estratégia educativa do Governo.

Segundo a “Macau Concealers”, os pais dos estudantes queixaram-se não existir uma ligação entre as aulas do ensino primário e secundário, deixando os jovens perante muitas dificuldades nos estudos.

A directora da antiga escola luso-chinesa de Tamagnini Barbosa clarificou ainda que, como a instituição esteve vocacionada para a vertente luso-chinesa, a maioria das disciplinas são leccionadas em Chinês. Por seu lado, educação física e música são dadas em português, facto que beneficia os alunos chineses, que podem assim elevar o nível de compreensão da língua de Camões.

No ano lectivo 2015/2016, foi a primeira vez que arrancou o 7º ano, pelo que no final de primeiro semestre, a escola recolheu as opiniões dos pais. O resultado do inquérito mostrou que 60% dos encarregados de educação não tinham opinião sobre a língua e o ensino. Além disso, 20% destes mostraram apoio ao ensino da disciplina de ciência em inglês.

Wu Kit disse que a ideia da escola é acompanhar melhor os estudos, daí que sejam disponibilizadas explicações de línguas aos alunos. Segundo a directora, cerca de 10% dos estudantes não têm o chinês como língua materna, pelo que este método também os ajuda a habituarem-se o mais rápido possível ao multilinguismo.

Por outro lado, referiu que os pais chineses querem que os filhos aprendam português, para que sejam advogados ou trabalhem na Função Pública. Já as famílias estrangeiras preferem que os filhos falem chinês.

Confrontada com a polémica da mudança dos directores, Wu Kit disse que desde a transformação da Escola Luso-Chinesa de Tamagnini Barbosa para a Escola Zheng Guanying em 2011, apenas houve uma alteração nesse âmbito.

A vice-presidente da associação de pais da escola, Hellen, disse, no mesmo encontro com a directora, que as críticas também abordam os uniformes, porque havia quem se queixasse que os pais não foram consultados. No entanto, a responsável arguiu que a escola distribuiu um inquérito aos pais.

Já a presidente da associação, Chong, considera que os pais que se queixaram não conhecem bem o funcionamento da instituição.