Mais optimistas e com sinais de retorno financeiro são algumas das conclusões do índice de empreendedorismo para o quarto trimestre de 2016. Segundo o estudo, 70% dos trabalhadores de empresas fruto do empreendedorismo jovem são locais e é necessário um investimento acumulado médio de 1,14 milhões de patacas para abrir portas. Retalho e negócios ligados a comidas e bebidas são os mais procurados

 

Liane Ferreira

 

Organizado pela plataforma online SMES-Macao, a empresa e-Research Lab e a Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, o índice de empreendedorismo fornece novos detalhes sobre este factor promotor do desenvolvimento económico no território. De acordo com o relatório, o índice de empreendedorismo para o último trimestre de 2016 revela que o índice de ambiente empreendedor foi de 49.9, apresentando um aumento face aos últimos dois trimestres, e o de conhecimentos atingiu 41,4, reflectindo também com um aumento.

Em termos de satisfação com os negócios, o valor atingido foi de 5,7, semelhante aos períodos anteriores, com 37,8% dos 201 inquiridos a dizerem que o arranque da empresa e os lucros são “normais” tendo em conta as expectativas. Por outro lado, 33,4% dos participantes confessaram que os resultados ficaram aquém das expectativas e 28,9% admitem ter obtido resultados acima do esperado. Para além disso, 41% obtiveram retorno, enquanto 56% ainda não conseguiram tal feito.

O estudo revela que 79,6% dos empreendedores ocupam esta função a tempo inteiro e 68,7% admitem que para abrir uma nova empresa é preciso “conhecimento, capacidade ou experiência na área”, registando-se um aumento de 8,2 pontos percentuais neste indicador.

Em média são precisos sete meses para preparar uma empresa “start-up” em Macau, sendo necessário um investimento acumulado de 1,14 milhões de patacas, sendo que para abrir um negócio na área de actividades recreativas, culturais e desportivas são precisos 2,52 milhões, na área educativa 2,03 milhões, e no ramo dos produtos alimentares 2,69 milhões de patacas.

Segundo os mesmos dados, 25,9% dos empreendedores escolhem o sector do retalho, enquanto 13,9% preferem a restauração, 12,4% produtos alimentares e 10,4% querem abrir cafés. Além disso, 20,4% dos empresários dedicam-se a serviços comerciais.

Em termos de recursos humanos, têm uma média de 5,7 trabalhadores a tempo inteiro e 71,9% são locais.

 

Apoio do Governo

com nota satisfatória

No que diz respeito ao grau de satisfação com a acção do Governo, os empreendedores deram uma nota satisfatória de 5,6 pontos registando-se um aumento, sendo que 51,7% dos participantes admitem ter participado ou informado do “Plano de Apoio a Jovens Empreendedores”.  Apesar disso, 6% querem um aperfeiçoamento dos procedimentos administrativos e 10% gostavam de obter ajuda com a redução das rendas.

Ma Chi Seng, deputado na Assembleia Legislativa e fundador da plataforma SMES-Macao, considera que os empreendedores estão mais optimistas e a melhoria no índice de retorno financeiro que atingiu os 41% é um bom sinal. Para além disso, indicou que existe uma diminuição no sentimento de pressão e mostrou-se satisfeito com a elevada contratação de locais.

Porém, chamou a atenção para o facto de cerca de um terço dos empreendedores considerarem que os

resultados e lucros obtidos foram ao encontro das suas expectativas.

Neste sentido, o deputado alerta para um conjunto de problemas que continuam a ser sentidos no empreendedorismo local, como a homogeneidade dos negócios, problemas a nível científico e tecnológico e insuficiência de inovação em termos de serviços e produtos.

Defendeu também o reforço da formação para que os jovens percebam a importância da inovação. Para além disso, entende que a criação de uma plataforma pode alargar as perspectivas dos empreendedores locais para que percebam as mais recentes tecnologias da informação e negócios, combinando com os apoios governativos para ajudar as empresas a usarem as novas tecnologias e conceitos.

O professor de gestão Matthew Liu da Faculdade de Gestão de Empresas destacou que os empreendedores têm um nível de auto-conhecimento mais elevado, mas o problema com os recursos humanos continua a ser fulcral.