Depois de se ter ausentado por um período de mais de um ano, Echo Chan volta a desempenhar as funções de secretária-geral adjunta do Fórum Macau com estratégias bem definidas. A dirigente aponta como prioridade o cumprimento das cinco medidas que dizem respeito ao Fórum Macau, anunciadas por Li Keqiang durante a V Conferência Ministerial

 

Inês Almeida

 

Echo Chan volta a ocupar o cargo de secretária-geral adjunta do Fórum Macau, depois de uma ausência de mais de um ano, mostrando-se grata por poder voltar a desempenhar funções no organismo. “Gostaria de agradecer o apoio do Secretário para a Economia e Finanças. No ano passado tive de sair por razões pessoais e tive todo o apoio dele”, sublinhou, acrescentando que é “uma excelente oportunidade” poder voltar a trabalhar no Fórum Macau.

“Sempre desempenhei funções nesta área e, neste momento, é muito interessante porque elas estão relacionadas com a posição que Macau pretende ter”, frisou.

De recordar que, em Outubro de 2015, sete meses após a sua tomada de posse, Echo Chan abandonou o cargo de coordenadora do Gabinete de Apoio do Secretariado Permanente do Fórum Macau por motivos pessoais e familiares, sendo substituída por Cristina Morais.

Agora, a secretária-geral adjunta regressa com alguns planos já definidos, envolvendo, nomeadamente, algumas das estratégias abordadas durante a V Conferência Ministerial. “Houve várias medidas e planos que ficaram de ser implementadas nestes três anos. Temos muito trabalho para fazer”, sublinhou.

O principal desafio, indicou Echo Chan, passa por “promover a plataforma [entre a China e os países de língua portuguesa] e o Fórum Macau”. Há objectivos para desenvolver esta plataforma e os projectos a ela associados, garantiu a responsável, apontando que para que se concretizem as intenções definidas, é necessária a colaboração da China e dos países lusófonos.

“Das 18 medidas anunciadas na V Conferência Ministerial há cinco que visam directamente o Fórum Macau”, apontou, frisando que estas serão o seu “objectivo de trabalho principal”. Especificamente, a secretária-geral adjunta mencionou a promoção da RAEM enquanto uma “plataforma de serviços financeiros especiais, com ligação às empresas dos países de língua portuguesa”. “Também temos centros dedicados aos jovens e às indústrias criativas, além de um centro para bilingues e o projecto do complexo da plataforma de Macau”.

Questionada sobre a instalação de uma delegação do Fundo do Fórum no território, Echo Chan indicou que neste momento ainda estão a decorrer “conversações com o Fundo”. “Esses trabalhos, neste momento, estão a ser desenvolvidos pela Direcção dos Serviços de Economia e pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. Vamos tentar que seja este ano”, garantiu Echo Chan, ressalvando que a mudança envolve muitos procedimentos.

Questionada sobre a eventual integração de São Tomé e Príncipe no Secretariado Permanente do Fórum Macau, na sequência do restabelecimento das relações diplomáticas entre o país africano e a República Popular da China, a responsável reiterou que o organismo “está aberto” a essa possibilidade se o país demonstrar interesse. Porém, garantiu, “neste momento nada está” previsto em concreto.

Outra das questões na agenda de Echo Chan é a criação do complexo do Fórum Macau, projecto que “está a ser seguido pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes”. Neste âmbito, a secretária-geral adjunta assegurou que não tem conhecimento de quaisquer problemas relacionados com a falta de informações em português que impede a plena compreensão do projecto por parte de quem não tem a capacidade de ler a língua chinesa. “Não tenho conhecimento da situação”, garantiu Echo Chan, indicando que está ainda a aguardar concurso público.

 

Regresso de Echo Chan

“é muito positivo”

Para a secretária-geral do Secretariado Permanente do Fórum Macau, o regresso de Echo Chan ao organismo “é uma notícia muito positiva”. “Tem muita experiência, já trabalhou no Fórum [Macau], conhece os colegas e o funcionamento” do organismo pelo que “vai ajudar muito nos trabalhos futuros”, frisou.

Xu Yingzhen apontou como prioridades para este ano o estreitamento das relações económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa e a criação da plataforma de cooperação comercial, aproveitando “mais oportunidades” para as empresas, tanto da RAEM, como do interior da China e da lusofonia.

“As áreas principais a promover são, por exemplo, as vertentes da formação de bilingues e a criação de um centro de intercâmbio cultural e de criatividade, empreendedorismo e inovação”, apontou Xu Yingzhen.

A dirigente referiu ainda a intenção de trabalhar para criar “com mais rapidez”, em Macau, o Secretariado da Federação dos Empresários entre a China e os países de Língua Portuguesa. “Vamos prestar apoio ao estabelecimento de contactos entre os empresários de Macau, da China e dos países lusófonos”, defendeu.

Além disso, vai continuar a ser realizada a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa porque “estreitar as relações culturais entre as partes também melhora as relações económicas”. Outra das apostas passa pela feira independente de produtos alimentares dos países lusófonos. “Como este pavilhão [da Feira Internacional de Macau] mostra ter um futuro brilhante e grandes potencialidades, vai ser realizada uma feira independente”, garantiu Xu Yingzhen.

Por outro lado, a Secretária-geral do Fórum Macau afirmou ainda que não há “qualquer informação” sobre a nomeação de um novo coordenador para o Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau. “O Governo está a pensar sobre esse assunto”, indicou. Xu Yingzhen acredita que a demora na nomeação de uma pessoa para o cargo não afecta os trabalhos do Fórum Macau, sobretudo com o regresso de Echo Chan que “tem um conhecimento profundo” sobre as tarefas que competem ao organismo. A vaga está por preencher desde Novembro do ano passado, altura em que Cristina Morais abandonou o cargo.

Echo Chan e Xu Yingzhen falaram à margem da Festa de Primavera do Secretariado Permanente do Fórum.

 

Lionel Leong promete

“novo impulso” à cooperação

Começando por destacar que este será o primeiro ano de implementação das metas definidas na 5ª Conferência Ministerial, o Secretário para a Economia e Finanças prometeu dar “um novo impulso” à integração da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Lionel Leong assegurou que o Executivo da RAEM vai continuar empenhado na promoção “pragmática” de objectivos como o estabelecimento, em Macau, da sede do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os países de Língua Portuguesa. O governante mencionou ainda a intenção de acelerar a criação do regime de seguro de créditos para importação, exportação e transporte de mercadorias.