Egípcio Tarek Momen vem defender título conquistado em 2014

As primeiras jornadas vão decorrer no complexo junto ao Dome, enquanto que as meias-finais e a final voltarão a ter lugar num “court” instalado no Espaço Sintra. O egípcio Momen e a malaia Nicol são os favoritos do Open de Squash de Macau

 

Vítor Rebelo

 

Está quase tudo a postos, em termos organizativos, para mais uma edição do Open de Squash de Macau, ficando apenas a faltar a chegada dos atletas, em especial os que irão dar corpo ao quadro principal.

A fase de qualificação e as primeiras jornadas a sério da competição, irão decorrer no Centro de Bowling do COTAI, junto ao Macau Dome, a partir do dia 17 deste mês, enquanto que os desafios das meias-finais (dia 19) e a discussão do título (dia 20), nas duas categorias (homens e mulheres), terão por palco o já habitual “court” em vidro, que a Associação de Squash do território e o Instituto do Desporto (ID) voltaram a requisitar a Hong Kong, para ser instalado na Praça da Amizade, conhecida por Espaço Sintra.

Trata-se de um recinto, designado a nível internacional por “court glass”, muito utilizado em todo o mundo e que, no caso de Macau, tem por objectivo oferecer e divulgar o squash junto dos transeuntes, dos turistas ou residentes, que normalmente são em elevado número naquela zona da cidade.

“É já o quinto ano consecutivo e o oitavo alternado em que Macau recebe este tipo de ‘court’ e o facto é que tem sido um sucesso nas edições anteriores”, afirmou Armando Amante, um dos organizadores da prova (assistente do director Keneth Lei), que este ano volta a não segurar na raqueta para jogar, dedicando-se apenas aos trabalhos de bastidores.

“Tenho já 28 anos e decidi não participar mais em competições internacionais, mas apenas nas provas internas e no treino das camadas jovens do squash de Macau. Gosto de estar na organização dos eventos”, disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o antigo número um do território.

 

Caixa envidraçada

já esteve em diversos locais

Voltando ao “court” de vidro, Macau fez a sua primeira experiência em 1999, apostando naquela instalação em pleno Leal Senado. Depois, a “caixa” passou pelas Ruínas de São Paulo, Templo A-Má na Barra e nos Lagos Nam Van.

Recorde-se que o Open de Squash de Macau teve a sua primeira edição precisamente em 1997, mas foi interrompido, por falta de patrocínios entre 2002 e 2007, e ainda em 2009 e 2010.

Desde então, não mais tem parado, constituindo mesmo um evento de cartaz no calendário de competições de nível internacional organizadas no território.

O prémio monetário global ascende a 50 mil dólares americanos, ou seja cerca de 400 mil patacas. Não se pode considerar um montante famoso, mas mesmo assim atrai alguns dos jogadores do “top ten” do ranking mundial.

A isso também não é alheio o facto de Macau seguir as pisadas dos principais torneios internacionais, que optaram pela instalação do “court” de vidro, muito do agrado dos próprios jogadores, que nada vêem para o exterior, ao contrário do público que tem uma visão perfeita do desenrolar dos lances.

 

Egípcio Tarek Momen

favorito nos homens

No que diz respeito aos nomes para este ano, que serão oficialmente divulgados em conferência de imprensa, a realizar na próxima quarta-feira à tarde nas instalações do ID, o Egipto, país com largas tradições na modalidade e com executantes do melhor que há no mundo, volta a estar bem representado, tanto em número de atletas (sete) como na qualidade.

No sector masculino, o vencedor de 2014, o egípcio Tarek Momen (ganhou ao seu compatriota Omar Mosaad em cinco “sets”, com 12-10 na negra), regressa ao território e é o cabeça-de-série número dois, atrás de Mosaad (ganhou em 2013), que tem esse estatuto pelo facto de possuir, nesta altura, melhor ranking mundial do que o seu rival (sexto contra décimo).

O terceiro favorito é o espanhol Borja Golan (13º da lista internacional), à frente de Marwan Elshorbagy (Egipto), Max Lee (Hong Kong), Fares Dessouki (Egipto), Omar Abdel Meguid (Egipto) e Nafiizwan (Malásia).

Steven Liu, actual número um do território, é o único de Macau no quadro principal, cabendo-lhe defrontar Elshorbagy.

 

Malaia Nicol David

lidera cartaz feminino

No Open feminino, Macau recebe pelo segundo ano consecutivo a malaia Nicol David, neste momento na segunda posição do ranking mundial, atrás da egípcia Raneem El Welily, que curiosamente foi derrotada por David na final do ano passado do Open de Macau, em apenas três “sets”, inesperadamente fáceis (11-8, 11-2 e 11-8).

A principal rival de Nicol David deverá ser a segunda cabeça-de-série, Laura Massaro, de Inglaterra (quinta do ranking), seguindo-se, em termos de pré-designadas da prova da RAEM, Nour El Tayeb (Egipto, oitavo lugar do mundo), Alison Waters (Inglaterra, quarta do ranking), Annie Hau (Hong Kong), Joelle King (Nova Zelândia), Rachael Grinham (Austrália) e Nouran Gohar (Egipto).

Macau terá Liu Kwai Chi no quadro principal das senhoras, encontrando pela frente na abertura a egípcia El Tayeb.

“A diferença de qualidade é muito grande e por isso os jogadores de Macau, tanto nos homens, como nas mulheres, não têm qualquer hipótese frente aos seus adversários na ronda inicial. O andamento é outro”, salienta Armando Amante, que há vários anos se tem dedicado ao squash, primeiro como jogador (campeão durante 10 anos consecutivos) e agora mais ligado à orientação dos mais jovens.

“O squash tem evoluído nos últimos anos e há cada vez mais jovens a praticar a modalidade, até porque tem havido um bom investimento nas escolas, que é onde a Associação tem ido buscar uma boa parte dos atletas, para depois estarem aptos a competir”, conclui Armando, que seguiu o gosto pelo squash do pai, José Amante, que ainda pratica nos veteranos e integra os corpos gerentes da associação.