Duas associações de engenharia e construção civil divulgaram uma carta aberta onde negam as acusações e exigem explicações ao director da DSSOPT. Em causa está o facto de Li Canfeng ter afirmado na Assembleia Legislativa que alguns construtores tinham proposto preços muito elevados para serviços relativos a reparações motivadas pela passagem do tufão “Hato”

 

Viviana Chan

 

A Associação de Engenharia e Construção de Macau e a Associação dos Proprietários de Máquinas de Construção Civil de Macau vieram a público responder a acusações feitas por Li Canfeng, no plenário da Assembleia Legislativa da passada sexta-feira. Os construtores negaram ter apresentado preços muitos elevados por trabalhos de reparação necessários após o tufão “Hato” e acusaram o director dos Serviços dos Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) de fazer declarações que não correspondem à verdade, pelo que exigem esclarecimentos.

A posição dos construtores foi publicada na primeira página do jornal “Ou Mun”, com o anúncio a salientar que as empresas membros daquelas associações ajudaram o Governo nos trabalhos de limpeza e retirada de estruturas em perigo, ajudando na recuperação o mais rápido possível após o “Hato”. As associações, que aproveitaram o anúncio para agradecer o contributo dessas empresas, sublinharam que são necessárias explicações para o público.

Na AL, o director da DSSOPT assegurou que algumas empresas de construção propuseram “preços loucos” para a prestação de serviços no referido âmbito. Na explicação dada no Plenário, Li Canfeng garantiu que o papel do Governo foi de mediador, distribuindo trabalho pelos construtores, que incluíram retirar obstáculos das vias públicas ou marquises danificadas. Devido à urgência da situação, o director da DSSOPT admitiu que a prestação de serviços não passou pelo procedimento normal de concurso público.

Para além disso, revelou que, no início, muitas empresas disseram que não iriam cobrar pelos serviços, oferecendo trabalho voluntário. O organismo também enviou técnicos aos locais de obras para recordar a situação para o caso de eventualmente as empresas solicitarem pagamentos.

A DSSOPT tem na sua página de internet uma lista com mais de 60 empresas de construção civil que prestaram provisoriamente serviços de reparação urgente, tendo o organismo enviado uma mensagem de agradecimento às companhias que trabalharam voluntariamente.

A TRIBUNA DE MACAU questionou a DSSOPT sobre os preços pedidos e os envolvidos, no entanto, o organismo apenas indicou que “a maioria das empresas trabalharam voluntariamente, e poucas companhias cobraram o preço de mercado”. Porém, “há casos individuais de empresas que pediram um preço muito elevado, com as quais o Governo ainda está a negociar”, referiu.

“Depois do tufão mais de 300 empresas mostraram vontade e ajudaram. De 25 de Agosto a 3 de Setembro foram tratados 400 casos de prestação de serviços devido ao Hato”, esclareceu o organismo.