As autoridades contabilizaram sete dezenas de conflitos nos autocarros em 2016, o que representa um aumento considerável em relação aos 27 que tiveram lugar ao longo do ano anterior. A Nova Era é a transportadora envolvida num maior número de situações problemáticas que incluem passageiros embriagados, o não pagamento da tarifa de transporte ou a incapacidade dos cidadãos de apanhar autocarro

 

Inês Almeida

 

Numa altura em que continuam a debater-se medidas de controlo ao volume de veículos ligeiros em circulação nas estradas do território e meios de promoção da utilização dos transportes públicos, surgem informações que mostram que ainda há uma área em que é preciso trabalhar: o ambiente de viagem. É a própria Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) a reconhecê-lo.

Dados fornecidos pela DSAT ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU mostram que ao longo de 2016 foram registados 69 casos de conflitos entre motoristas de autocarros e passageiros. Entre estes, 40 envolveram a Nova Era, 23 a Transmac e a TCM contabilizou apenas seis. Os valores deste ano representam um aumento de 155% em relação aos de 2015, ano em que foram registadas 27 situações de conflito.

A DSAT refere ainda que os motivos do antagonismo são vários, abrangendo desde “passageiros embriagados” a “tarifa de transporte não paga”, “saída do autocarro sem pressionar o botão para solicitar a paragem” ou “passageiros que não conseguem apanhar o autocarro”. O organismo destaca que estes “são apenas alguns exemplos” do que motiva os conflitos, pelo que “não se atreve” a dividir os casos por categorias quantificáveis.

Dado o aumento do volume de situações ocorridas em 2016, “o Governo tem estado preocupado com os conflitos ocasionais entre os motoristas de autocarros e passageiros”, garantiu a DSAT. “Através da comunicação com as companhias de transporte e associações, temos resolvido os problemas relacionados com a operacionalidade dos autocarros e esperamos optimizar os serviços dos autocarros e o ambiente de trabalho dos motoristas”, salientou o organismo.

Além disso, a DSAT sublinha que, com o objectivo de criar um bom ambiente para as viagens, o Governo tem tentado melhorar os serviços dos autocarros para atender às necessidades do público. Por outro lado, compreensão mútua e cedência de ambas as partes são necessárias.

“[Motoristas e passageiros] têm de trabalhar em conjunto para evitar mal-entendidos desnecessários e disputas, com o objectivo de garantir que a viagem decorre de forma ordeira”, defendeu a DSAT, prometendo continuar a coordenar o diálogo com as transportadoras, publicitar e promover a educação, tanto dos motoristas como dos passageiros, tendo como objectivo levar os passageiros a cumprir as regras de viagem e aumentar a qualidade dos motoristas”.

De recordar que o Conselho Consultivo do Trânsito previu, no final do ano passado, que o número de passageiros nos autocarros públicos no cômputo geral de 2016 deveria atingir os 200 milhões. Por dia, em média, este género de transporte é utilizado por cerca de 538.000 pessoas. Em 2015, contaram-se 185 milhões de passageiros.

Na altura também ficou decidida a instalação de um sistema de monitorização do número de passageiros com recurso a câmaras de vigilância, sendo apenas lançado o alerta pelo facto de poderem ser utilizados dados pessoais.