Instituto Confúcio vai reforçar aposta no mandarim, diz José Pedro Paiva

Até ao final do ano deverá ser criado na Universidade de Coimbra o Instituto Confúcio, voltado para a medicina chinesa, com o objectivo de desenvolver a área da saúde. O director da Faculdade de Letras da UC manifestou ainda o desejo de integrar o mandarim na licenciatura em Línguas Modernas e estreitar a cooperação com Macau, nomeadamente a DSEJ e UM

 

Inês Almeida

 

Com o auxílio de uma instituição de ensino superior do mesmo ramo, a Universidade de Coimbra (UC) deverá criar até ao final deste ano o Instituto Confúcio, direccionado para a medicina tradicional chinesa. “Queremos aproveitar o Confúcio não apenas para desenvolver o ensino da língua chinesa em Portugal e para aprofundar as relações com a China, que é um dos pilares estratégicos da acção da Universidade de Coimbra neste momento, mas para desenvolver uma das outras áreas de referência que é a da saúde e aquilo que estamos a chamar de envelhecimento activo”, avançou ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o director da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). A direcção do Instituto ficará a cargo de outro docente da FLUC, a ser nomeado pelo reitor da UC.

Em Macau para participar no Seminário sobre Ensino e Formação de Bilingues entre a China e os Países de Língua Portuguesa, José Pedro Paiva disse ainda que o mandarim será outra grande aposta assim que o Instituto for criado. “Gostava muito de lançar as bases para incluir no nosso curso de Línguas Modernas o mandarim. Creio que com a chegada do Confúcio vamos ter capacidade para começar a pensar nisso a breve trecho”. No entanto, ressalvou, tal só deverá acontecer no prazo de três anos já que é preciso apresentar a proposta de inclusão do idioma a instâncias exteriores à UC.

Durante a estadia na RAEM, vai ainda reunir-se com a directora da Faculdade de Letras da Universidade de Macau que visitou a FLUC há dois meses. Em Coimbra foram definidas algumas linhas de colaboração. “Agora trago uma proposta final do protocolo e espero que seja possível consumá-lo. Isso significará uma cooperação maior ao nível do intercâmbio de estudantes e docentes na área das humanidades e das letras”.

José Pedro Paiva vai também encontrar-se com Leong Lai, directora dos Serviços de Educação e Juventude, para aprofundar o intercâmbio centrado essencialmente em cursos. “Temos feito alguns cursos com a colaboração deles [Serviços de Educação] e queremos continuar. Regressaram há cerca de três semanas 55 alunos do ensino secundário que fizeram um curso intensivo de quatro semanas com 24 horas de aulas semanais no qual ao fim-de-semana tinham visitas de estudo: fomos ao Porto, ao Mosteiro da Batalha e a Alcobaça”.

O objectivo é “não só dar a conhecer a língua mas também a realidade social e cultural de Portugal e algum do seu Património que é muito rico”. Os cursos têm ainda, para os estudantes com um melhor nível de língua, componentes ligadas à história, geografia, literatura e até ao cinema português que permitem “uma maior imersão na língua que querem aprender”.