Plantel do Chao Pak Kei mantém “espinha dorsal” na nova época

A equipa do Chao Pak Kei assegurou dois reforços importantes e conta também com Paulo Conde como mais um elemento do corpo técnico. O plantel mantém a “espinha dorsal”, com poucas saídas

 

Vítor Rebelo

 

Dos primeiros classificados da época passada na Liga de Elite do futebol de Macau, pode dizer-se que o Chao Pak Kei é aquele onde menos gente saiu, tendo feito poucas contratações, as consideradas indispensáveis para os lugares onde a equipa mais carências apresentava.

Sabe-se que Benfica, Ka I, Monte Carlo e Sporting, sofreram alguma razia de jogadores (nalguns casos futebolistas que faziam a diferença…) e que por isso vão ter de adaptar os “novatos” ao estilo de jogo que cada treinador quer ver implementado para a temporada que se avizinha.

Há três anos no escalão principal do “bolão”, depois de se ter sagrado campeão da II Divisão, o Chao Pak Kei é dos “outsiders” em relação ao título o clube que mais tem pautado a sua filosofia pela regularidade de orçamentos, não entrando em “altos voos”.

A “espinha dorsal” mantém-se para esta época, com a permanência de elementos-chave, principalmente no meio campo, sector onde o Chao Pak Kei tem dado nas vistas e mais problemas tem criado aos chamados grandes do futebol de Macau.

Para as competições de 2016, Liga e Taça, o Chao Pak Kei deixou de contar com Choi Weng Hou, Pedro Lopes Pereira e o jovem André Pinto, contratando o brasileiro Ronieli Nascimento (ex-Ka I) e Lo Chin Fong e o guardião veterano Domingos Chan (ambos ex-Monte Carlo).

Continuam no plantel jogadores considerados fulcrais, como os brasileiros Diego Patriota (eleito o melhor da Liga de Elite da época passada) e Bruno Figueiredo, eles que ajudaram, em termos de Bolinha, o Ka I a ser campeão.

Os dois regressam ao clube para mais uma edição do “bolão”, assim como os paraguaios Ronald Cabrera e Ismael Ortega.

Em termos de reforços, o nome mais sonante é sem dúvida o ponta-de-lança Ronieli Nascimento, que vestiu a camisola do Ka I no campeonato de 2015.

“Para mim o Roni é o melhor ponta-de-lança, avançado fixo, que existe em Macau, isto porque o William é o melhor avançado móvel. Por isso, a vinda do Roni para a nossa equipa é uma enorme mais valia, porque precisávamos de um elemento lá na frente”, começou por dizer ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o médio brasileiro Bruno Figueiredo, também ele um estratega, tecnicista, que muito tem dado ao futebol do território.

Bruno Figueiredo prepara-se para fazer o seu quarto ano de Macau, o segundo com as cores do Chao Pak Kei, e quer ainda mais ambição no seio da equipa.

“Espero que sejamos ainda melhores do que na temporada passada e aí já conseguimos o terceiro lugar, mas podemos de facto alcançar algo mais. Teremos de estar entre os candidatos desde o início da prova e tentar não desperdiçar pontos nas cinco primeiras jornadas que, para mim, é aí que se começa a definir o campeonato. Uma derrota complica logo bastante e depois é difícil recuperar. Na época anterior começámos bem, mas aquele desafio face ao Ka I, em que perdemos por 2-1, desperdiçando oportunidades flagrantes, acabou por nos marcar para o resto da prova”, recorda o médio.

O Chao Pak Kei mantém, entre os sempre indispensáveis jogadores locais, nomes como Leung Chon In, Leong Tak Wai, Pedro Eduardo António Tong, Kou Ut Cheong, Fong Chi Hang, tendo apenas saído Choi Weng Hou.

Para colmatar os lugares deixados em aberto por Hou, Pedro Lopes e André Pinto, o CPK foi buscar três elementos aos Sub-23, equipa patrocinada pela Associação de Futebol de Macau e que desceu de divisão, depois de ter sido última classificada, atrás da Casa de Portugal.

“As peças que entraram na nossa equipa, acabam por preencher posições que precisávamos, entre as quais um bom guarda-redes, experiente, como é o Domingos e na frente de ataque o Roni. Assim temos tudo para fazer um bom campeonato”, salientou Bruno Figueiredo, futebolista que já representou o Monte Carlo e o Ka I.

 

Espreitar outros voos

Quanto à equipa técnica, há este ano uma novidade, com a entrada de Paulo Conde, que faz a sua estreia como treinador na I Divisão de Macau, depois de já ter desempenhado essas funções em equipas de escalões inferiores, no Sporting por exemplo.

Depois de um ano em que ficou a descansar, como jogador, Paulo Conde regressa assim à actividade do futebol do território, devendo também actuar por uma equipa de veteranos.

Mas relativamente ao projecto Chao Pak Kei, que até poderá ser o início de uma carreira mais a sério como treinador, o angolano de origem acredita que, pelo menos, o terceiro lugar da época passada é possível repetir.

“Vamos tentar manter esse terceiro posto, mas sem deixar de espreitar algo mais. Não partimos para a Liga com a clara ambição de título, mas sim com um objectivo imediato de voltar a ser pelo menos terceiros. Se tivermos a possibilidade de melhorar essa posição, claro que tudo faremos para o alcançar”, realçou.

Paulo Conde entra no grupo de técnicos do CPK onde o principal timoneiro continuará a ser Ignacio Hui, há vários anos na colectividade e um dos grandes responsáveis pela subida à Liga de Elite em 2013.

Steve permanece como “manager”, mas na prática será igualmente um dos elementos do corpo técnico, até porque tem sido hábito, ao longo dos anos e em todos os jogos, vê-lo constantemente junto à linha lateral a orientar os seus jogadores, por vezes mais activo até do que Ignacio Hui.

Interrogado pelo JTM sobre se o plantel deste ano é mais forte ou mais equilibrado do que na temporada anterior, Paulo Conde diz que a história é outra…

“Temos de reconhecer que o Chao Pak Kei não tem o plantel dos considerados candidatos e por isso não é uma equipa tão equilibrada como o campeão Benfica, o vice Ka I, o Monte Carlo ou o Sporting. Temos de ser realistas e lutar para já para o terceiro lugar e depois se verá, ainda que reconheça que será difícil o título”, conclui o antigo jogador de quase todas as principais equipas de Macau – “só não joguei pelo Monte Carlo”- estreando-se há 25 anos pelo Leng Ngan.

 

Alexandre Matos

joga em Inglaterra

O Chao Pak Kei treina quatro vezes por semana e sábado deu-se o regresso, no sintético do D. Bosco, depois dos festejos de Natal. No meio do plantel, uma cara nova, mas apenas para manter a forma: Alexandre Matos. O filho de Paulo Conde está há seis meses a estudar em Inglaterra (curso ligado à psicologia do desporto) e a jogar por uma equipa dos escalões inferiores, Greenwood Meadows. “Estou a gostar da experiência, mas não tem sido fácil, porque o ritmo é diferente. Apesar de ser um clube pequeno, tem estruturas bem superiores a Macau, com campos para treinar e jogar. O ambiente é bom e espero poder chegar a equipas de outro nível”, destaca o jovem de 20 anos, que na época passada esteve ao serviço do Ka I.

 

V.R.