Em oito meses, os bilhetes de autocarro renderam directamente cerca de 250 milhões de patacas às três transportadoras, que ainda receberam 630 milhões em assistência financeira do Governo. O Executivo paga 4,6 patacas por passageiro, mas o Secretário para os Transportes e Obras Públicas indicou que, sem o apoio oficial, cada viagem custaria 6,6 patacas

 

Liane Ferreira

 

O sistema de transportes públicos continua em debate, mas ainda se sabem poucos pormenores sobre a renovação dos contratos das concessionárias, mantendo-se o foco na intenção de actualizar as tarifas e passes dos autocarros, de acordo com o estatuto de residência de cada utente. O Jornal TRIBUNA DE MACAU questionou os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) sobre uma possível alteração ao formato da assistência financeira às concessionárias, mas na resposta, o organismo não se pronunciou sobre essa matéria, revelando no entanto os gastos públicos com autocarros.

“Nos primeiros oito meses deste ano, as receitas das três operadoras foram cerca de 250 milhões de patacas e a assistência financeira do Governo ultrapassou 630 milhões de patacas. A assistência financeira paga agora pelo Governo é de 4,6 patacas por passageiro em média”, diz a DSAT, reiterando que “a fim de tornar os recursos públicos mais racionais, o Governo propôs o ajustamento das tarifas de autocarros para reduzir a assistência financeira”.

Essa “assistência financeira reduzida será utilizada para aumentar as carreiras e frequência dos autocarros; ajustar o tipo de veículos e introduzir novos autocarros de energia ecológica, etc., com vista a satisfazer a exigência contínua de serviço de autocarros”, reiteraram aqueles serviços.

Na manhã de ontem, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas defendeu a necessidade de reduzir o fosso entre os custos e a cobrança de serviços de autocarros, sublinhando que a cobrança actual é inferior a um terço do custo. “Se as companhias não tivessem financiamento do Governo, a tarifa de viagem por pessoa deveria ser de 6,6 patacas”, salientou.

Raimundo do Rosário apontou que, neste momento, o Executivo concede cerca de mil milhões de patacas por ano às transportadoras e, depois do ajustamento esse montante pode diminuir para 700 a 800 milhões.

Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, a DSAT clarificou que, de acordo com o “regime das concessões de serviços públicos”, as operadoras assumem os lucros, perdas e riscos provenientes da exploração. Sublinhando que os “custos operacionais são directamente reflectidos nas tarifas”, o organismo salienta que “em princípio, as receitas das tarifas devem, pelo menos, compensar os custos, a fim de conseguir garantir um serviço estável”.

Por forma a “manter a política das baixas tarifas, a diferença entre o valor do serviço e as receitas das tarifas de bilhetes é suportada pelo Governo”, disse a mesma Direcção de Serviços.

 

Autocarros desajustados colocaram segurança da Ponte em causa

A DSAT avançou a este jornal ter recebido indicações de que certo tipo de “veículos de autocarro de algumas carreiras que circulam pela Ponte Governador Nobre de Carvalho não estão em conformidade com os requisitos previstos no Regulamento” da ponte, tendo sido efectuada “uma revisão abrangente das carreiras que passaram pela Ponte em causa”. “Por razões de segurança”, o organismo instou as operadoras de autocarros a “providenciar o tipo de veículos adequado para explorar as carreiras relevantes e fazer ajustamento de percurso das carreiras para garantir a segurança da ponte”. “Neste momento, além da carreira nº22, outras carreiras envolvidas, incluindo a 50, 73, MT1 e MT2 foram substituídas por veículos adequados e ajustados ao percurso da carreira”, disse a DSAT, notando que uma vez que a 22 “transporta diariamente mais de 15 mil passageiros, depois de ajustar o seu percurso e o tipo de veículo, irão também ser cumpridas as disposições do Regulamento da Ponte”.