Face à intenção do Governo de aumentar as tarifas dos autocarros, a justificação de que os gastos com a assistência financeira às concessionarias são elevados não convence Leong Sun Iok, subdirector da FAOM, nem Cheong Weng Fat, director da “Macau People Power”. Leong quer que a subida vise apenas não residentes, sobretudo turistas, enquanto Cheong pede a suspensão do plano e acusa o Governo de aumentar a pressão nos residentes em vez de “limitar os subsídios dados a não locais”

 

Rima Cui

 

A “Macau People Power” entregou ontem uma petição à Secretaria para os Transportes e Obras Públicas e Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, exigindo a suspensão da proposta de aumento das tarifas de autocarros e realização de uma consulta pública sobre a matéria. Para Cheong Weng Fat, director da associação, a justificação do Governo para o aumento de tarifas com base nos custos com assistências às concessionárias “não faz sentido”.

“Existem apenas 500 mil residentes, mas foram emitidos mais de um milhão de cartões Macau Pass, é óbvio que há enormes recursos para compensar os não residentes”, queixou-se, frisando que a medida do Governo é “totalmente em sentido contrário”. Aliás, “em vez de limitar os subsídios dados a não locais, coloca a pressão nos residentes”, criticou.

Na petição, a associação salienta que a proposta de aumento de tarifas motivará acréscimos no orçamento do Governo. Com o preço actual de 3,2 patacas e duas patacas com o cartão, as autoridades dão um apoio de 1,2 patacas, porém, se o preço subir para 6 patacas no autocarro e 3 com o cartão, os custos do Executivo vão subir 150%, alerta.

Cheong Weng Fat acusou o Governo de “liderar uma troca de interesses”, porque “a proposta de aumento de tarifas surgiu sem qualquer consulta”. “Se essa proposta for implementada, aumentará as despesas dos cidadãos e os gastos do Governo. Os únicos vencedores serão as companhias de autocarros que terão o dobro das receitas”, criticou, insistindo na necessidade de promover uma consulta pública e exortando o Executivo a tomar uma decisão apenas quando houver consenso social.

Já Leong Sun Iok, subdirector da Federação das Associações dos Operários (FAOM), considera a “teoria dos custos” usada pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas como “duvidosa”. Indicando que muitos utentes dos autocarros são turistas e não residentes, defende que os gastos avultados com o serviço não podem ser misturados com o orçamento destinados ao bem-estar da população.

Salientando que, entre 2011 e este ano, o volume de passageiros de subiu de 380 mil por dia para cerca de 580 mil, representando um aumento superior a 50%, Leong frisou que numa viagem de 6,6 patacas, segundo contas de Raimundo do Rosário, mais de três patacas são compensadas a não residentes.

Na sua perspectiva, caso o Governo não consiga pagar esse custo enorme, deve pensar em aumentar significativamente os preços para passageiros não locais, sobretudo turistas, ao invés de transferir a pressão para os residentes.

Ao jornal “Ou Mun”, o mesmo responsável instou também as autoridades a cancelarem o plano da cobrança flexível para idosos, alunos e portadores de deficiência.