No segundo trimestre do próximo ano, o Governo deve receber a autorização de Pequim sobre as revisões feitas no plano geral de desenvolvimento do aeroporto, disse Raimundo do Rosário. O governante justificava-se perante os alertas de Ip Sio Kai para quem a infraestrutura poderá sair “marginalizada” face à elevada concorrência regional

 

Catarina Almeida

 

O projecto de expansão do Aeroporto Internacional de Macau (AIM) é uma necessidade não só porque a actual capacidade da infraestrutura está “saturada”, mas sobretudo porque se depara com a concorrência regional, defendeu Ip Sio Kai. “Até 2025, os visitantes vão atingir os 38 milhões. Segundo o plano geral de desenvolvimento do aeroporto, mesmo com a primeira fase de ampliação, a capacidade será de sete milhões de visitantes e até 2033 de 15 milhões. O mais importante é a questão da competitividade regional”, notou o deputado eleito por sufrágio indirecto.

O AIM enfrenta “muitos desafios” tendo em conta que só o de Zhuhai recebe “seis milhões de visitantes”, estando em curso planos de expansão para alargar a capacidade até aos 12 milhões. “Se o plano for autorizado, o AIM vai perder competitividade. O de Hong Kong vai receber 100 milhões de visitantes entre este ano e 2023. Também há os aeroportos de Shenzhen e Cantão. O AIM vai ser marginalizado”, advertiu.

Perante tais reparos, o Secretário Raimundo do Rosário não avançou grandes detalhes mas reconheceu a importância deste projecto. “Já entregámos [o plano geral de desenvolvimento do aeroporto] ao Governo Central que nos disse que há alterações a introduzir. Agora estamos a introduzir [essas] alterações e esperamos conseguir a aprovação no segundo trimestre do próximo ano”, disse.

Neste contexto, só “depois da aprovação vamos arrancar com os nossos trabalhos porque queremos mesmo ampliar o nosso aeroporto”, acrescentou Raimundo do Rosário.

Por sua vez, o presidente da Autoridade de Aviação Civil, frisou que o planeamento em causa será respeitado com base na “previsão” projectada. Quanto ao fluxo de passageiros, Simon Chan indicou que “8% dos visitantes chegam ao território pelo aeroporto”.

O Aeroporto Internacional de Macau foi inaugurado em 1995, tendo no ano passado atingido 6,6 milhões de passageiros. Dividido em três fases, o plano de expansão do Aeroporto Internacional de Macau contempla um aumento de capacidade para receber 15 milhões de passageiros, 58 mil toneladas de carga e 107 mil movimentos aéreos anualmente até 2040.

Na sessão de perguntas e respostas, o Secretário esclareceu ainda que não tem a certeza de conseguir concluir o Plano Diretor daqui a dois anos. “Não tenho certezas de conseguir acabar em 2019. Sim, atrasámos, reconheço e por isso ontem [terça-feira] disse que no plano quinquenal está previsto que essa tarefa seja concluída em 2019. Agora, ontem disse: eu vou fazer todos os esforços para concluir até 2019. Eu espero conseguir acabar, vou envidar todos os esforços, mas sem certezas não consigo dizer”, afirmou.