Fernando Pereira nasceu em Macau mas viveu a maior parte da sua vida em Portugal onde criou uma empresa que se dedica ao marketing, design e branding. Actualmente tem apostado na área da realidade virtual através da criação de um guia turístico “imersivo” da RAEM

 

Inês Almeida

 

A vida de Fernando Pereira foi passada sempre entre Macau e Portugal, com constantes viagens. Nasceu cá, mas com três meses estava do outro lado do mundo. Regressou para fazer a escola primária mas o resto da sua formação foi concluída em Portugal. Voltou à RAEM mais recentemente, há apenas três anos e trouxe consigo a sua empresa de design.

“Em 2010 concorri a um prémio de empreendedorismo da Universidade Técnica de Lisboa e ganhei com um projecto empresarial em que construía Lisboa a três dimensões e pusemos aquilo acessível e visitável através da internet”, explicou em declarações ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Assim criou a sua empresa, uma agência criativa que se dedica a áreas como o “marketing online”, “design” e “branding”. “Ao mesmo tempo, tem uma componente empreendedora muito forte em que estamos sempre à procura de projectos e a tentar fazer coisas novas”.

Actualmente, “estamos a fazer uma aplicação de realidade virtual. Na realidade é um guia turístico de Macau. É uma aplicação para telefones que depois também funciona dentro de óculos de realidade virtual e assim fica-se com um guia turístico imersivo de Macau”. A empresa lançou ainda, recentemente, uns óculos de realidade virtual.

De Portugal, Fernando Pereira trouxe consigo também uma associação chamada “Grow Up eSports” , ligada aos desportos electrónicos. “Organizamos competições de videojogos a um nível muito profissional, campeonatos com prémios grandes a nível monetário” explicou.

“Organizámos um evento em Macau há oito meses e estamos agora a ter muitas reuniões com departamentos oficiais como a Direcção dos Serviços de Turismo para firmar parcerias e obter apoio porque em Outubro deste ano vão decorrer os mundiais de videojogos onde competem mais de 40 países e nós vamos enviar uma equipa de Macau para competir neste torneio”, frisou Fernando Pereira , destacando que é a primeira vez que uma equipa da RAEM participa num evento do género.

Em Portugal, explicou, a associação já foi chamada a dar palestras e apresentações “porque isto é uma coisa muito recente. Há uns tempos ninguém queria saber destas coisas. Jogar era uma coisa que se fazia em casa e era mau, as pessoas pensavam que isso fazia com que os miúdos não estudassem, mas agora é uma coisa enorme”.

Apesar de agora passar a maioria do tempo em Macau, a empresa que criou mantém-se “dos dois lados”. “Eu estou mais por cá, os meus colegas estão em Portugal. Quando criámos a empresa um dos propósitos era trabalharmos remotamente sempre. Mesmo que esteja em Lisboa, é mais ou menos indiferente, porque eu e os meus colegas trabalhamos através da internet”.

Esta estratégia, indicou, permite “viajar imenso”. “Posso levar o meu computador e ir para outros sítios passear, o local onde estou é indiferente. Isso é muito bom. Um dos meus principais objectivos quando criei a empresa era poder ter o meu computador atrás e trabalhar a partir de uma praia, por exemplo”, disse referindo que “quando uma pessoa fala em trabalhar a partir de casa não pensa em ficar em casa propriamente mas antes em estar noutro sítio qualquer mais agradável”.