O crescente fluxo de visitantes, que aumenta a um ritmo anual de dois dígitos desde 2013, tem permitido à Universidade de Coimbra concretizar projectos de reabilitação de alguns dos seus espaços. Além da recuperação do Colégio de Jesus, apontada para 2019, a instituição planeia criar um Museu da Ciência “mais apelativo” capaz de se converter num “ex libris” da cidade

 

A Universidade de Coimbra registou mais de 500 mil visitantes em 2017, garantindo mais uma receita fundamental para a reabilitação de espaços da instituição. Ao longo do ano passado, a universidade registou um aumento de “quase 17% em relação a 2016” no número de visitas, mantendo um aumento de dois dígitos percentuais desde 2013, disse à agência Lusa o vice-reitor com a pasta do turismo, Luís Menezes.

O aumento de dois dígitos também se verifica na receita arrecadada, que em 2017 foi de cerca de 4,5 milhões de euros, acrescentou o mesmo responsável.

De acordo com Luís Menezes, os turistas franceses continuam a liderar, representando cerca de 20% das visitas. Os turistas brasileiros representam cerca de 10%, aparecendo depois os visitantes “espanhóis, italianos e portugueses”, numa universidade que regista mais de 60 nacionalidades a visitar os seus espaços.

A receita com o turismo permite continuar a fazer reabilitação dos espaços da universidade mais antiga do país, sendo que este ano deverá arrancar “a recuperação de todo o palácio do Pátio das Escolas”.

Para 2019, poderá avançar a intervenção no Colégio de Jesus, “um edifício com ar imponente, mas muito frágil”, havendo um “projecto de fundo” para criar um Museu da Ciência “mais apelativo”, com mais salas e mais espaços, adiantou o vice-reitor.

“Queremos aumentar a área expositiva. Queremos que o espaço museológico seja centralizado naquela zona, num projecto de grande envergadura, para haver mais espaços de visita para fazer com que quem visita o museu não o consiga visitar num só dia”, explicou.

Para Luís Menezes, o objectivo é ter “um Museu da Ciência que se torne num ‘ex libris’ da cidade”.

Segundo o vice-reitor, a Universidade de Coimbra vai continuar a tentar diversificar a oferta, sendo que, no início da primavera, com a inauguração da estufa do Botânico, vai ser introduzido um novo circuito.

Já na Biblioteca Joanina, para garantir a sustentabilidade daquele monumento, foi alterado o acesso, para diminuir o número de vezes que a porta principal é aberta, referiu.

Em declarações anteriores à Lusa, o reitor da Universidade, João Gabriel Silva, sublinhou que a classificação como Património da Humanidade, em 2013, ofereceu a Coimbra mais turismo e esta distinção aumentou a auto-estima da cidade e da instituição. A história da Universidade de Coimbra e o seu património imaterial “obtiveram uma centralidade e um reconhecimento que nunca tinham tido, quer dentro quer fora de Portugal”, afirmou.

 

JTM com Lusa