A actriz Emma Watson, protagonista do filme “The Circle”, confessa que a nova película, centrada numa rede social fictícia de grandes dimensões, foi uma experiência “difícil” e “vulnerável” que suscita questões sobre ética e privacidade numa cada vez mais pública. O filme estreia-se hoje nas salas de cinema de Macau

 

“The Circle” é uma das empresas mais poderosas do planeta ligada à área da internet, sendo responsável por fazer a interligação dos e-mails dos diversos usuários com as suas actividades diárias. Mae Holland (personagem interpretada por Emma Watson) mostra-se muito entusiasmada com a possibilidade de estar mais perto de pessoas que são consideradas como as mais poderosas do mundo ao juntar-se a “The Circle”, mas rapidamente se apercebe que o seu papel na empresa é muito diferente do que imaginava.

Emma Watson, actriz de 27 anos que cresceu aos olhos do público nos filmes da saga “Harry Potter”, reconhece que, antes de ter participado no filme, ainda não tinha ainda compreendido completamente as implicações da recolha em massa de dados pessoais através de actividades online. “Foi uma experiência muito vulnerável para mim fazer este filme, foi muito difícil mas muito significativo. Saímos de cena e ninguém sabe o que está a acontecer nos bastidores porque é o que eu vivo”, disse a actriz, após a estreia mundial do filme no festival de cinema de Tribeca. Em Macau a estreia está agendada para hoje.

Inspirada no livro de Dave Eggers, a película transmite igualmente uma visão de como as redes sociais conseguem controlar e filtrar as informações das pessoas, embora nem sempre pelos melhores motivos. “The Circle” pretende ainda representar, de forma fictícia, algumas empresas já existentes, como Google, Facebook e Twitter.

Numa cultura que aposta em “slogans” como “partilhar é ser atencioso”, a personagem interpretada por Emma Watson voluntaria-se para ser “totalmente transparente”, usando uma câmara do tamanho de um berlinde 24 horas por dia para transmitir todas as suas actividades online. A experiência acaba por conduzir a uma perseguição transmitida em directo, que mostra, entre outras episódios, a morte de um amigo próximo que tinha tentado evitar as redes sociais.

“Não pensava na maioria destas coisas antes”, assumiu Emma Watson, aproveitando para alertar para o facto do Congresso dos Estados Unidos ter revertido, em Março, as leis da privacidade na internet.

O filme conta também com a participação de Tom Hanks, que faz o papel de dono da empresa. Em declarações à revista “E!”, o “veterano” actor de Hollywood teceu vários elogios à jovem actriz. “Ela é muito focada nas coisas, tem um caderno de apontamentos para tudo e preenche-os apenas após alguns dias de filmagens. Incorpora o seu dia-a-dia no trabalho e tem uma ética fascinante, o que faz sentido tendo em conta que ela começou no cinema com apenas sete anos”, referiu.

Por seu lado, Emma Watson manifestou-se também bastante feliz pela experiência de trabalhar com Tom Hanks. “Pensei que não haveria forma de ele ser como nos filmes, tão simpático como dizem que ele é. Mas é uma pessoa tão generosa e engraçada, fácil de lidar com tudo, por isso fiquei muito feliz por ele corresponder às expectativas que tinha. Tom é como um herói”, afirmou Watson.

Para além do enredo que promete manter os espectadores “agarrados” ao ecrã do princípio ao fim, “The Circle” marca também a última aparição de Bill Paxton no cinema, uma vez que o actor faleceu em Fevereiro vítima de acidente vascular cerebral.

 

JTM com agências internacionais