Através da exposição de 40.000 peças arqueológicas encontradas durante a sua construção, uma nova estação de Metro de Roma propõe uma verdadeira viagem no tempo, desde a Pré-História à Idade Contemporânea

 

A estação da linha C do Metro de Roma, que não será aberta ao público até Outubro, faz parte daquela que é conhecida como a linha arqueológica do Metro, cujo trajecto atravessará o centro da capital italiana quando terminar a sua construção. Os trabalhos de escavação em San Giovanni arrancaram em 2010 e o resultado final será uma estação que alberga uma espécie de museu, proporcionando algo parecido com uma “viagem no tempo” à medida que os passageiros vão atravessando o espaço, podendo ver painéis temáticos e peças arqueológicas.

O responsável pela secção de bens arqueológicos de Roma, Francesco Prosperetti, descreveu a estação, que teve um custo de 50 milhões de euros (cerca de 401 milhões de patacas) como uma “máquina do tempo” que transporta as pessoas para o passado. “Quem entra na estação de San Giovanni percebe que está num lugar especial e único no mundo, porque no subsolo de Roma há algo que não existe em espaços semelhantes na grande parte das cidades do mundo: a história”, salientou, citado pela agência EFE.

Uma das partes mais relevantes do percurso, e que reúne o maior número de vestígios arqueológicos, corresponde ao período romano antigo, corresponde ao período entre a idade republicana e a imperial de Roma, onde se encontram os restos de uma exploração agrícola que revelam uma série de actividades de grande riqueza e sistemas muito evoluídos de cultivo. No local é também possível observar os restos dos primeiros pêssegos que chegaram nessa época ao Ocidente, provavelmente procedentes da Pérsia, ânforas de drenagem e outras que continham azeite oriundo da Península Ibérica.

Nos corredores da estação do Metro também estão expostas moedas cuja cunhagem remonta ao século I a.C., uma forca agrícola, fragmentos de encanamentos da época e vasos de terracota que estão quase intactos e mostram o terreno pantanoso e húmido que originou a criação da quinta.

O objectivo final de quem se encontra no espaço será, obviamente, as vias do comboio metropolitano, mas até lá poderão experienciar uma viagem no tempo, com painéis explicativos de diferentes cores, além de imagens e vídeos, a classificarem e ilustrarem os diferentes períodos históricos.

As escavações da estação, desenvolvidas com técnicas estratigráficas, percorreram mais de 30 metros, algo inédito numa obra do género porque a perfuração do terreno é habitualmente interrompida quando são encontrados os primeiros restos históricos.

Filippo Lambertucci, um dos arquitectos que organizou a exposição na instalação, espera que esta estação de Metro sirva para os cidadãos romanos compreenderem as bases onde se insere a sua cidade. “Esta instalação oferece ao público uma experiência provavelmente nova”, referiu Lambertucci, que pertence ao grupo de investigação do Departamento de Arquitectura da Universidade de Roma e que trabalhou no projecto.

“Embora Roma esteja estratificada sobre uma quantidade de séculos, de achados e de testemunhos que atravessam o seu subsolo, [os cidadãos] não se dão conta nunca, ou quase nunca, desta grande riqueza”, acrescentou, esperançado de que isto constitua “uma nova perspectiva” para as próximas estações da capital italiana.

 

JTM com agências internacionais