Apesar de ser uma das modelos mais requisitadas do mundo, Cara Delevingne assume que a interpretação foi sempre o seu primeiro e verdadeiro amor. Mas, a transição das passarelas para o grande ecrã exigiu muito trabalho

 

Aos 24 anos de idade, Cara Delevingne já arrecadou milhões de dólares desfilando nas passarelas de Londres, Paris e Milão para marcas como a Burberry e Chanel, e preencheu várias capas nas revistas Vogue e Grazia. A ascensão no cinema começou em “Anna Karenina” (2012) juntamente com Keira Knightley, e atingiu o ápice com o drama adolescente “Paper Towns” (2015) e o sucesso de bilheteira “Suicide Squad” (2016). “Valerian and the City of a Thousand Planets”, o seu filme mais recente, dirigido por Luc Besson, estreou-se no dia 21 nos Estados Unidos.

Em entrevista à agência AFP, a jovem britânica confessou que a passagem da moda para o cinema não foi tão simples quanto parece, tal como acontece com ex-atletas e outras celebridades que têm de trabalhar arduamente para serem levados a sério no mundo da sétima arte. Há dois anos, num programa matinal nos EUA para o qual foi convidada para promover “Paper Towns”, teve inclusive de responder a perguntas duvidosas, incluindo se tinha lido o romance de John Green que inspirou o filme.

Cara Delevingne não só leu o livro nessa altura, como também escreveu o seu próprio romance, que deve ser publicado em breve.

“Haverá sempre pessoas assim. Acredito que é apenas outra oportunidade para me manter firme e mostrar que me esforço no meu trabalho, que trabalho duramente e estou disposta a mostrar que essas pessoas [que a subestimam] estão equivocadas”, sublinha.

Sendo uma voz relevante nas redes sociais, com 40 milhões de seguidores no Instagram, Delevingne foi elogiada por servir de apoio a muitos adolescentes com dilemas emotivos, ao falar abertamente da sua bissexualidade e da forma como lutou contra a depressão quando tinha apenas 15 anos. “Sinto-me abençoada por ser uma influência forte para crianças e adolescentes. Isso foi sempre uma meta, desde que era mais jovem, servir de modelo, para que possam ver como consegui atingir cada um dos meus sonhos com trabalho duro e determinação”.

Durante o processo de selecção de Laureline, Luc Besson pensou imediatamente em Delevingne como a actriz que poderia reflectir o espírito da corajosa personagem que combate o crime juntamente com Valerian. “Ela transformou-se em modelo por acidente, porque um agente a viu e disse ‘pode fazer boas fotos’. Mas ela não estava pronta para isso. Teve sucesso porque é simpática, mas é uma actriz nata, surpreendeu-me a capacidade de acreditar que esse é o começo de uma longa carreira”, destacou o realizador em entrevista à AFP.

Segundo a crítica, a personagem Laureline representa um paradoxo: uma mulher intrépida, independente, que apesar disso define a felicidade através do seu sucesso em busca do amor. “Isso é o que amo sobre a vida em geral, as dicotomias”, realça Delevingne.

“Quero ser uma mulher que pode cuidar de si mesma e ser completamente independente, mas também entendo que, ao final do dia, toda a gente quer ir para casa e ter alguém que a ame e se preocupe, e vice-versa, e chegar algum dia a ter uma família”, assume.

Na perspectiva da actriz, Laureline prova que o romance não é um jogo sem qualquer ganho para as mulheres, que têm de enfrentar a vida familiar e a carreira. “Identifico-me com ela nesse sentido e, claro, sou forte e independente e todas essas coisas, mas sou uma romântica incurável. Muita gente nega, mas não somos todos?”.

 

JTM com agências internacionais