Após terem sido testados no Vietname, falsos moluscos de plástico já entraram ao serviço na França para combater roubos em viveiros. Caso sejam detectados movimentos suspeitos, uma placa electrónica faz soar o alerta em “smartphones” ou computadores

 

Dissimulada numa casca azul e cinza em relevo, a “Flex Spy” parece uma ostra de verdade, no entanto, na verdade é feita de plástico e equipada com uma placa electrónica e um emissor que emite um alerta em caso de movimento. Inventado por uma empresa francesa, este molusco espião está a ser incumbido da missão de combater o roubo em viveiros de ostras.

A “Flex-Sense”, pequena companhia gaulesa, começou a comercializar estes falsos moluscos de plástico em Setembro, após ter testado a sua eficácia no Vietname. Os primeiros protótipos já estão a ser utilizados nalguns viveiros de ostras e mexilhões da França, e a sua implantação em maior escala, particularmente na bacia de Marennes-Oléron, localizada na maior costa da Europa, está prevista para Fevereiro, de acordo com a agência AFP.

Saída da linha de produção da “ASM Seriplast”, em Boufféré (oeste da França), a versão mais recente da “ostra mistério” ainda é “um pouco cinza demais” na opinião de Jean-Michel Dilé, um dos gestores desta empresa especializada no fabrico de peças tecnológicas de plástico.

Devidamente camuflada entre outras ostras, a “Flex Spy” funciona na prática com uma “delatora” que surpreende os ladrões com “a mão na massa”, ou, neste caso, na água. Completamente impermeável, a placa electrónica no interior do molde de plástico é composta de “uma antena, um acelerómetro, um alarme sonoro e um modulador de frequência”, explicou Sylvain Dardenne, co-fundador e director comercial da “Flex-Sense”.

Após ser activado como uma granada e lançado no meio de um viveiro de ostras, este objecto conectado fica a “dormir” entre os moluscos verdadeiros e apenas desperta se detectar um movimento suspeito. Nesse caso, envia um alerta directamente para o “smartphone” ou computador do ostricultor.

Apontando a economia energética e a resistência à pressão como outras duas grandes vantagens da invenção, Sylvain Dardenne salienta ainda que a ostra espiã pode ficar submersa por um período máximo de 60 meses sem necessidade de recarga, “ou seja, vinte vezes mais que qualquer localizador GPS”.

A “Flex Spy” surgiu em resposta às necessidades dos profissionais do sector, que precisavam de um dispositivo de combate ao roubo de moluscos, fenómeno que por norma se torna mais frequente durante as festividades de final de ano.

Embora os roubos de ostras não tenham grande expressão em termos de volume – dezenas de toneladas são roubadas por ano na França, entre as quase 100.000 toneladas produzidas -, “isso representa muito para o profissional afectado, que já enfrenta dificuldades para recuperar dos episódios de alta mortalidade desde 2008”, explica Gérald Viaud, ostricultor no departamento francês de Charente-Maritime (Atlântico) e presidente do Comité Nacional de Conquilicultura. O roubo é “um verdadeiro problema” para a profissão, que está “sempre em busca de soluções”, indica o mesmo responsável, frisando que tem sido usado todo o tipo de recursos, desde câmaras de vigilância até patrulhas da “Gendarmeria” por terra, mar e ar.

“Como não se pode monitorizar todo o litoral (marítimo), é necessário inovar. A ostra conectada talvez não seja a solução ideal, mas é um recurso a explorar”, defende o ostricultor.

Adoptando uma esperada discrição sobre a localização das suas antenas, a Flex-Sense conta com “meia centena de clientes” actualmente na França, segundo Sylvain Dardenne.

No entanto, a ostra espiã – cuja unidade é alugada por apenas 10 euros por mês (84 patacas ao câmbio actual) – é encarada apenas como um “cavalo de Tróia” para a empresa, que deseja adaptar esta ferramenta anti-roubo a outros sectores da indústria, particularmente nos ramos da construção e obras públicas.

 

JTM com agências internacionais