Turistas passeiam pelo deserto num veículo especial
Turistas passeiam pelo deserto num veículo especial

Residentes em áreas desertas na Região Autónoma da Mongólia Interior saíram da pobreza e passaram a ter uma melhor qualidade de vida após o chamado “turismo de deserto” ter sido introduzido na região

 

O Deserto de Kubuqi, em Ordos, o sétimo maior deserto na China, com uma área de 18.600 quilómetros quadrados, é uma fonte de tempestades de areia frequentes que atingem as regiões do norte do país. As condições climatéricas acabaram por pesar na vida, dos residentes, muitos deles relegados para uma vida de pobreza, dependendo da criação de animais.

Nos últimos 30 anos, contudo, foram feitos grandes esforços para lidar com a desertificação e elevar o nível de vida da população. Nesse sentido, foi introduzido um modelo de negócios inovador que incorpora governos regionais, empresas e habitantes locais, com o objectivo de proteger o ambiente da região e criar emprego.

Com a liderança dos governos e o investimento das empresas, agricultores e pastores começaram a cultivar plantas medicinais, construir estações de energia solar e desenvolver instalações turísticas. O “Whistling Dune Bay”, um “resort” situado em pleno deserto, é um desses modelos de sucesso, mas não é o único.

Em 2006, governos locais e o Elion Resources Group – uma companhia envolvida na protecção ambiental ecológica – investiram na construção da aldeia de Doodgatsaa, reunindo 36 famílias dispersas às quais foi oferecido uma formação a título gratuito. Após concluída, os aldeões começaram a fazer os seus próprios negócios. “No passado, vivíamos em casas precárias, construídas com erva seca e lama”, disse Tserenbaabuu, um pastor de 41 anos de idade que habita na aldeia, citado pelo “Diário do Povo”.

Segundo Tserenbaabuu, o seu rendimento total aumentou para 200 mil yuans, 10 vezes mais do que conseguia amealhar no passado, quando criação de animais domésticos era a sua única fonte de rendimento, considerando que o turismo do deserto mudou radicalmente a sua vida.

Juntamente com dois pastores, Tsenrenbaabuu comprou 20 veículos para condução “off-road” próprios para a areia do deserto, contando ainda com ajuda de instituições bancárias em Ordos. Para apoiar esta nova “veia” empresarial, construiu um hotel familiar com capacidade para receber 20 turistas, acompanhado de um pequeno restaurante para servir refeições.

O potencial da região em termos de turismo ecológico do Deserto de Qixinghu surgiu quando os investidores decidiram explorar os recursos do deserto, que passou agora a atrair anualmente mais de 120 mil visitantes.

A China tem uma área total de desertos de mais de 2,6 milhões de quilómetros quadrados, de acordo com o Fórum Internacional do Deserto de Kubuqi, realizado recentemente. As experiências acumuladas no deserto podem ser um modelo para compartilhar não só no país, como também no resto do mundo, em áreas com condições idênticas, segundo referiram alguns dos participantes do fórum.

 

JTM com agências internacionais