Médicos já chegaram a usar capacetes em sinal de protesto
Médicos já chegaram a usar capacetes em sinal de protesto

Face aos crescentes ataques de pacientes, um dos hospitais públicos mais conceituados da Índia decidiu criar aulas diárias de “taekwondo” para os seus médicos

 

Os médicos do Instituto de Ciências Médicas de Toda a Índia (AIIMS, em inglês), um dos principais hospitais públicos do país, vão poder passar a frequentar aulas de “taekwondo” por forma a que possam defender-se da crescente violência dos pacientes.

“Os ataques de pacientes a médicos na Índia crescem diariamente. Por isso, queremos ensinar aos médicos técnicas de defesa pessoal”, explicou à Agência EFE o presidente da associação de médicos residentes do AIIMS, Vijay Gurjar.

Para esse efeito, a associação que dirige contratou dois professores de “taekwondo” que a partir de 15 de Maio irão leccionar aulas de duas horas todas as tardes para os médicos que queiram aprender as técnicas dessa arte marcial.

“Informámos todos os nossos médicos e paramédicos e calculamos que cerca de 2.000 pessoas terão aulas, incluindo médicos residentes, estudantes e outros funcionários do hospital”, adiantou Vijay Gurjar.

Esta medida surge depois de, há um mês e meio, os médicos do hospital AIIMS terem trabalhado durante vários dias com capacetes de motociclos em sinal de protesto e apoio a cinco médicos que tinham sido atacados por pacientes. De acordo com a imprensa indiana, mais de 3.000 médicos residentes de Maharashtra também se ausentaram cinco dias, após a ocorrência de ataques do género.

Embora os principais agressores sejam pacientes, também há relatos de familiares irritados. Segundo testemunhas, num desses incidentes, 15 pessoas atacaram um jovem médico depois da morte de uma paciente que sofria de falência renal.

“Compreendemos a dor em momentos de crise quando entes queridos estão a sofrer, mas não podem fazer justiça com as próprias mãos. Nós tentamos com o nosso melhor profissionalismo resolver os problemas”, assegurou Gurjar.

De acordo com o mesmo responsável, o aumento dos casos de violência cometidos por pacientes indianos está associado às deficientes infra-estruturas dos hospitais, que frequentemente não podem oferecer camas ou tratamentos por falta de meios. “Nós também somos vítimas do sistema (…) Não podemos melhorar as instalações dos hospitais, isso é responsabilidade do governo (…) mas podemos aprender a defender-nos de ataques injustificados”, sublinhou o presidente da associação.

“Compreendemos a dor em momentos de crise quando entes queridos estão a sofrer. Mas eles não podem tomar a lei em suas próprias mãos, como nós tentamos nosso melhor profissionalismo para resolvê-los “, disse Gurjar.

Nesta fase inicial, as aulas de “taekwondo” apenas serão ministradas em Nova Deli, mas associações de outras cidades da Índia já manifestaram interesse em aderir à medida. Inclusivamente, o AIIMS planeia “enviar uma carta ao Ministério de Saúde para incluir aulas de defesa pessoal na formação curricular de estudantes de medicina”, revelou Gurjar.

Segundo um estudo da Associação Médica da Índia, mais de 75% dos médicos indianos reportaram ter sofrido algum tipo de violência em 2015, facto que obrigou ao governo a criar uma Comissão Interministerial para tentar resolver o problema, mas até agora essa medida não deu frutos.

Outro estudo realizado em 2016 num hospital de Nova Deli concluiu que 40% dos médicos residentes foram expostos à violência no trabalho durante um período de 12 meses.

 

JTM com agências internacionais