Apresentado como um “museu universal” com uma mensagem de tolerância, o Louvre abriu portas em Abu Dhabi com centenas de obras uma década após o lançamento do projecto

 

Abu Dhabi inaugurou o seu próprio museu do Louvre, posicionando-se como uma cidade de turismo cultural para atrair visitantes de todo o mundo. Cercado de água em três lados, o museu abriga nas suas 23 galerias permanentes 600 obras de arte que adquiriu, além de 300 emprestadas de 13 destacadas instituições francesas. Os artistas representados variam de Paul Gauguin e Vincent Van Gogh a Pablo Picasso e Cy Twombly.

“Hoje é lançado um monumento cultural mundial: o Louvre de Abu Dhabi reúne ícones da arte que reflectem o génio colectivo da humanidade”, disse o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed, na inauguração oficial.

O Presidente francês, convidado de honra, aproveitou para destacar a importância do encontro cultural entre Oriente e Ocidente. “As nossas religiões e civilizações têm vínculos indestrutíveis. Os que querem fazer acreditar, em qualquer parte do mundo, que o Islão se constrói destruindo as outras religiões monoteístas são mentirosos e traidores”, defendeu Emmanuel Macron.

A arquitectura do Louvre de Abu Dhabi é inspirada nas medinas árabes, com um conjunto de 55 edifícios brancos. Os visitantes poderão caminhar por espaços com vista para o mar ou debaixo de uma cúpula de 180 metros de diâmetro, composta por 7.850 estrelas de metal, que filtra os raios de sol, formando uma “chuva de luz”, conforme lhe chama Jean Nouvel.

Jean-Luc Martinez, presidente do Louvre em Paris, explicou que o novo museu foi concebido “para se abrir aos demais” e “entender a diversidade” “num mundo multipolar”. “É um museu universal, o primeiro do mundo árabe”, enfatizou.

Ao contrário de outros museus, cujos percursos propõem uma classificação por estilos ou civilizações, este expõe os temas universais e as influências comuns entre as culturas, da pré-história até os dias de hoje. Na mesma sala é possível ver, por exemplo, uma folha do Alcorão Azul, do século IX, uma torá iemenita de 1498 e dois volumes de uma bíblia gótica do século XIII. Segundo os promotores do projecto, a grande estrela do museu é “La belle ferronnière”, um quadro de Leonardo da Vinci emprestado pelo Louvre de Paris.

Este projecto resultou de um acordo intergovernamental celebrado em 2007 entre Paris e Abu Dhabi, que estará vigente por 30 anos. O contrato, que inclui o direito de uso da marca do Louvre e a organização de exposições temporárias, está avaliado em mil milhões de euros, montante que exclui o custo da construção do museu, que não foi revelado.

No entanto, o projecto gerou polémica em França, onde algumas vozes contestaram o aspecto “mercantil” da operação e a “venda da marca” Louvre. Por sua vez, várias ONG expressaram preocupação com as condições dos trabalhadores imigrantes nas obras.

Depois da inauguração ter sido adiada várias vezes por problemas de financiamento, o Louvre de Abu Dhabi é o primeiro de três museus a abrir portas no distrito cultural de Saadiyat. Deverão segui-lo o Guggenheim, concebido pelo arquitecto canadiano Frank Gehry, e o Zayed National Museum, pelo britânico Norman Foster.

 

JTM com agências internacionais