O prémio Nobel da Literatura 2017 foi atribuído ao britânico de origem japonesa Kazuo Ishiguro, anunciou ontem a Academia Sueca, justificando a escolha por ser um escritor que, “em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob o sentido ilusório de conexão com o mundo”

 

Todo o trabalho de Kazuo Ishiguro, distinguido ontem com o Prémio Nobel da Literatura, é marcado pelos temas da memória, tempo e ilusão, mas também por influências musicais e algumas notas de fantástico, destacou o júri da academia sueca.

Kazuo Ishiguro tem sido um escritor a tempo inteiro desde o seu primeiro livro, “A Pale View of Hills” (“As Colinas de Nagasaki”), de 1982, e tanto o seu primeiro romance como o subsequente, “An Artist of the Floating World” (“Um Artista do Mundo Transitório”), de 1986, se passam na cidade japonesa, poucos anos depois da Segunda Guerra Mundial, escreve a academia na página oficial do Facebook.

“Os temas preferidos de Kazuo Ishiguro – memória, tempo e ilusão – já estão presentes nestas duas obras”, mas são particularmente evidentes no seu mais famoso romance, “The Remains of the Day” (“Os Despojos do Dia”), que foi adaptado ao cinema, com Anthony Hopkins a interpretar um mordomo obcecado pelos seus deveres, acrescenta o júri, que publicou igualmente na rede social Twitter.

“A escrita de Kazuo Ishiguro é marcada por uma forma de expressão cuidadosamente restrita, independentemente daquilo que esteja a acontecer. Ao mesmo tempo, a sua ficção mais recente contém elementos fantásticos”, destaca.

Segundo a academia, “com o trabalho distópico ‘Never Let Me Go’ (‘Nunca me deixes’), Ishiguro introduziu uma nota fria de ficção científica no seu trabalho”. No entanto, tanto neste romance como em muitos outros, é possível encontrar também “influências musicais”, de que é um “exemplo impressionante” a colecção de contos intitulada “Nocturnes: Five Stories of Music and Nightfall” (“Nocturnos”), no qual “a música desempenha um papel fundamental na representação dos relacionamentos entre as personagens”.

No seu último romance, “The Buried Giant” (“O gigante enterrado”), de 2015, um casal de idosos faz uma viagem por uma velha paisagem inglesa, na esperança de se juntar ao filho, já adulto, que não vê há anos. Este romance explora activamente “a forma como a memória se relaciona com o esquecimento, a história com o presente e a fantasia com a realidade”.

Kazuo Ishiguro escreveu oito livros, bem como argumentos para cinema e televisão. A Academia justificou a escolha por ser um escritor que, “em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob o sentido ilusório de conexão com o mundo”.

O escritor britânico de origem japonesa nasceu em Nagasaki, Japão, em 8 de Novembro de 1954, fixando-se com a família, no Reino Unido, no início da década de 1960. Destacou-se com os primeiros contos, publicados na revista Granta, escreveu para cinema e televisão, é autor de canções. Com “Os Despojos do Dia” venceu o “Booker Prize”, em 1989.

 

JTM com Lusa