O júri do 74º Festival de Veneza premiou o mexicano Guillermo del Toro com o Leão de Ouro por “The Shape of Water”, uma fábula de amor entre uma empregada muda e uma estranha criatura anfíbia. Os actores Kamel El Basha e Charlotte Rampling também se destacaram

 

O Festival de Veneza distinguiu o cinema fantástico do mexicano Guillermo del Toro, que levou para casa o Leão de Ouro por “The Shape Of Water”, enquanto o francês Xavier Legrand triunfou com “Jusqu’à la garde”, com os prémios de melhor realização e melhor obra-prima.

Apontado como um dos favoritos da gala, Guillermo del Toro, de 52 anos, confirmou os prognósticos com o primeiro Leão de Ouro para um cineasta mexicano, conforme destacou ao receber o prémio. “Há um momento na vida de um narrador, de um contador de histórias, em que se arrisca tudo para fazer algo diferente”, disse o realizador.

“The Shape Of Water” é um conto repleto de doçura e fantasia que aborda a surpreendente relação entre uma mulher muda e uma criatura marinha, metade monstro e metade homem com escamas.

“Se permanecermos puros e com sua fé, com aquilo em que acreditamos – no meu caso, monstros -, conseguimos fazer qualquer coisa”, disse o realizador ao receber o prémio das mãos da presidente do júri, a actriz americana Annette Bening.

Visivelmente emocionado, Del Toro fez ainda questão de dedicar o prémio a “cada jovem realizador latino-americano que sonha em fazer algo no género da fantasia”. “Acredito na vida, no amor e no cinema”, acrescentou o realizador mexicano, que vive nos EUA.

Também previsível era a atribuição do prémio de melhor actriz à britânica Charlotte Rampling pela sua complexa interpretação de uma mulher contemplativa e quase silente, isolada do mundo, em “Hanna””, do italiano Andrea Pallaoro.

Em contrapartida, a “Copa Volpi” de melhor actor causou alguma surpresa ao ir para o palestiniano Kamel El Basha, por “The Insult”, filme sobre a difícil convivência entre palestinos e libaneses com um pequeno incidente que se transforma num conflito enorme, reflexo da situação política de toda a região do Médio Oriente.

O Grande Prémio do Júri foi entregue a “Foxtrot”, do israelita Samuel Maoz, outro dos filmes que mais agradou nesta edição do festival, com uma crítica à militarização de Israel e às guerras com um estilo tão realista como onírico.

Os prémios mais inesperados foram dados ao francês Xavier Legrand por “Jusqu’à la garde”, um duro filme sobre a violência doméstica e a primeira longa-metragem do realizador, que trata o tema de uma maneira tremendamente directa.

Xavier Legrand, que recebeu o prémio de melhor obra-prima e o Leão de Prata de melhor realizador, protagonizou um dos momentos mais emocionantes da noite ao chorar copiosamente quando subiu pela segunda vez ao palco. “Sem vocês poderíamos ter trabalhado e escrito um roteiro, mas depois teria de interpretá-lo e dar-lhe um coração e vocês deram um coração magnífico”, disse, dirigindo-se aos actores do filme.

Na cerimónia também foi entregue o prémio de melhor roteiro a Martin McDonagh, por “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”; o Especial do Júri para “Sweet Country”, do australiano Warwick Thornton, e o de actor revelação ao americano Charlie Plummer, por “Lean on Pete”.

Pela primeira vez na história do decano dos festivais de cinema, filmes de realidade virtual foram incluídos na competição. O prémio de melhor filme nesta categoria foi para o americano Eugene YK Chung por “Arden’s Wake Expanded”.

 

JTM com agências internacionais